Dança em um teatro de muitos palcos

Entrevista mostra como o Sesc-SP recebe e exibe espetáculos de dança

Simone Engbruch Silva é assessora da Gerência de Ação Cultural do Sesc São Paulo, e atendeu a nossa reportagem explicando como funciona a estrutura da entidade para encontrar, receber e exibir espetáculos de dança, dinâmica que estende a outras artes.

O Sesc é uma empresa privada sem fins lucrativos mantida por aportes financeiros de um grupo de empresários do comércio e de serviços. Desde sua fundação, em 1946, tem fins sociais e educacionais. Em São Paulo, sua estrutura está pulverizada em diversas unidades, boa parte delas referência para a população em esporte e cultura. Mais detalhes sobre a entidade você encontra em www.sescsp.org.br.

Cultura e Mercado – Como se dá a aprovação de projetos que envolvam a dança no Sesc, tanto em unidades isoladas como em atividades interunidades?

Simone Engbruch Silva – Em nosso organograma institucional, a Gerência de Ação Cultural (GEAC) é responsável pela mediação junto as unidades desta ação, por meio da análise, aprovação e realização dos projetos, das relações com produtores externos e instituições internacionais. Dentro deste contexto, temos formas de ação para o recebimento, elaboração e aprovação de projetos propostos por nossas equipes ou por curadores, artistas convidados e produtores, sem editais e com uma maior flexibilidade para as escolhas.

CEM – Como se dá o financiamento das atividades relativas à dança no “sistema” Sesc?

SES – Parte do nosso orçamento, que vem da contribuição do empresariado do comércio e de serviços que mantêm a instituição, é voltado para as ações artísticas. A contratação das atividades relativas à área de dança (espetáculos, cursos, seminários, palestras etc) é subsidiada ainda por meio do pagamento de cachê e bilheteria. As leis de fomento e patrocínio são utilizadas pelos proponentes dos projetos (cias, grupos, produtores etc) para viabilizar as produções em nossas instalações e, neste caso, fazemos uma parceria, cedendo o espaço.

CEM – Entendo a função do Sesc como a de uma entidade de classe que tem como intuito levar educação, lazer e cultura para sua classe, os comerciários, e depois para a população como um todo, sem operar necessariamente com lucro. Neste sentido, qual a postura da entidade para com as políticas de fomento às artes?

SES – Nossa política se baseia nos princípios da democratização, da acessibilidade e da difusão por meio de espetáculos, cursos, exposições, conferências, publicações, ações que promovam a reflexão e a mediação junto ao público, com valor de ingressos acessível para todos, de acordo com a política de ingressos SESC.

CEM – Como se dá a seleção dos projetos de dança? Há algum levantamento da dança no país? Os critérios são estéticos, econômicos ou obedecem a outro padrão?

SES – A seleção se dá pelos projetos enviados e/ou pesquisados pelas nossas equipes, no Brasil e no exterior, por sua qualidade, atendendo aos critérios da diversidade, da multiplicidade de idéias, do contato com o novo e o criativo, com o questionador e o revelador, com a inquietação, o desejo de mudar, conhecer e participar.

CEM – Qual o público dos espetáculos de dança do Sesc nos últimos anos? É esta uma arte de menor aceitação pelo público brasileiro? Como vocês pensam a finalidade/utilidade de espetáculos dessa arte para o público?

SES – O nosso foco é na produção de dança contemporânea, não excluindo os outros estilos. Em 2006 tivemos 853 apresentações, e o público foi de 205.792 pessoas. A produção de dança é muito menor em relação ao teatro e à música, também pelo interesse das empresas que patrocinam mais estas áreas.

CEM – A aceitação da dança tem crescido em relação às demais artes? O consumo de cultura (dança, em particular, e cultura de espetáculo como um todo) tem crescido, ao menos na rede Sesc-SP?

SES – Em razão do trabalho de formação de público que desenvolvemos nas nossas unidades, e devido ao aumento de unidades do SESC no Estado de São Paulo, verificamos o aumento no interesse do público na área. Também os programas de incentivo municipal, estadual e federal têm facilitado o aumento das produções e favorecido a circulação.

Guilherme Jeronymo

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