Depois da garagem, o mundo - Cultura e Mercado

Depois da garagem, o mundo

No início de abril, uma iniciativa da Inesplorato, empresa de “curadoria de conhecimento”, e do canal de inspiração e expressão visual IdeaFixa reuniu mais de 160 pessoas em São Paulo com um único motivo: ouvir e conversar sobre ideias inovadoras, à beira de se tornarem realidade. O intuito do Projetos de Garagem, cuja segunda edição aconteceu neste ano, é dar um empurrãozinho a empreendedores com muita vontade e pouca grana.

Dos mais de 300 projetos inscritos, sete ganharam a chance de subir ao palco do Cine Joia e ter seu empreendimento exposto no site de crowdfunding Movere, para tentar levar suas ideias da garagem para o mundo. Para Amanda Yuli Mendes, do Mobiliário Emergecial – iniciativa que cria leitos montáveis para vítimas de enchentes – a participação no Projetos de Garagem foi muito positiva, porque deu a oportunidade de conhecer novas pessoas e trocar experiências, “além da grande expectativa do Mobiliário de sair do protótipo”, informa.

Apesar de não terem conseguido o financiamento via crowdfunding, os realizadores do Pinapipa, projeto que remodela pipas transformando-as em objetos de arte, afirmam que a participação foi importante, pois ajudou a afinar o discurso e aprimorar o conceito da iniciativa. “Também produzimos a pipa protótipo e o vídeo conceitual, materiais muito valiosos e dos quais nos orgulhamos muito”, conta Daniel Coronel que, junto com Felipe Rocha, idealizou o Pinapipa e prepara novidades para breve.

Ramiro Zwetsch, do já bem-sucedido site sobre música Radiola Urbana, apostou no desafio de criar um programa de TV e afirma que a participação agregou muita experiência, com as equipes da Inesplorato e da IdeaFixa transmitindo seus conhecimentos no desenvolvimento de um negócio criativo. “Embora nosso projeto não tenha atingido a meta por intermédio do financiamento coletivo, percebemos que houve boa repercussão entre as pessoas interessadas em música e isso foi fundamental para reforçar nossa convicção de que temos uma boa ideia para levar adiante”, revela.

Quem teve uma resposta imediata foi o projeto Alma de Batera, idealizado pelo baterista e pedagogo Paul Lafontaine, cujo objetivo é oferecer oficinas de música para pessoas com deficiência. O projeto conseguiu superar a meta de R$ 22 mil, com a ajuda de mais de 300 colaboradores, que doaram quantias entre R$ 10 e R$ 500.

Com o sucesso na recepção do público, Paul pretende fortalecer a estrutura do Alma de Batera em São Paulo, abrindo novas oficinas pela cidade. “Com isso, será necessário a capacitação de novos professores, a seleção de novos voluntários e o fechamento de novas parcerias e apoios, além de toda uma divulgação feita para dar visibilidade e credibilidade ao trabalho”, prevê.

Para Roberto Meirelles, da Inesplorato, o saldo do evento foi positivo. “Tirar um projeto da garagem é bem mais complicado e menos romântico do que parece. Exige muito suor e jogo de cintura. Foi muito prazeroso acompanhar o processo de amadurecimento absurdo de cada um dos projetos”, afirma.

E aconselha: “O importante é que cada um continue contribuindo com suas habilidades para o projeto e se mantenha próximo de pessoas que os complementem. O mais valioso eles já possuem: coragem, uma ideia promissora e paixão”.

Se você também tem uma ideia que precisa de um empurrãozinho para ser realizada, o Cemec promove, entre 20 e 29 de agosto, em São Paulo, o curso Crowdfunding, para aproximar os criadores deste modelo de financiamento em ascensão. As aulas são coordenadas por Vanessa de Oliveira, do Movere, e Diego Reeberg, do Catarse.

Para saber mais, clique aqui.

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