Se no mundo analógico não faz sentido publicar livros muito curtos, contendo apenas uma história de poucas páginas, no mundo digital esse modelo parece fazer todo o sentido. Eles são chamados de mini-ebooks, short e-books, e-short books. Ainda não há um único termo para designar os curtinhos, mas mesmo sem nome definido, não param de surgir iniciativas de várias editoras estrangeiras para oferecer conteúdo eletrônico em “pílulas”.
Na semana passada, a gigante Random House anunciou o selo global Story-cuts, que estreia com 150 e-books, alguns com apenas uma história, outros com mais de uma, totalizando 243 textos diferentes. Os títulos vão estar disponíveis na Apple store, Amazon e Kobo. Na Inglaterra, os preços unitários vão variar de 0,99 a 3,99 libras.
A Penguin, dias antes, havia anunciado uma ideia parecida. A coleção da editora inglesa intitulada Penguin Shorts começa a circular em 1º de dezembro, com nove obras curtas de ficção e não ficção escritas por autores da casa. Cada título tem preço de 1,99 libra e o selo deve ser adotado em 2012 pela Penguin nos Estados Unidos, para depois tornar-se uma marca mundial.
Em terras brasileiras, o primeiro projeto nessa linha foi lançado na semana passada, pela Editora 34, como uma iniciativa experimental. A editora colocou à venda na Livraria Cultura 20 contos de autores russos que, em versão digital, podem ser comprados todos os juntos, por R$ 24,90, mas também separadamente, por preços que vão de 0,99 a 2,99 por unidade, dependendo do número de páginas. Há um, inclusive, sendo oferecido de graça. Todas as histórias fazem parte da obra Nova antologia do conto russo, que, na versão impressa, tem o dobro de histórias (40), 648 páginas e preço de R$ 74,90.
“A ideia de vender os contos separadamente surgiu como uma ação promocional para a versão impressa”, afirma Paulo Malta, editor-fundador da 34. Segundo ele, os textos curtos podem servir como aperitivo e suscitar o interesse dos leitores pelas outras histórias, escritas por autores russos consagrados, de várias gerações. “Temos que aproveitar essas possibilidades que as novas mídias oferecem, até porque o grosso do trabalho editorial já estava feito para a obra impressa”, diz Malta, ressaltando que esse é o primeiro e-book da 34 e que ainda não há previsão para outros lançamentos eletrônicos.
A Companhia das Letras, que se associou à Peguin para publicar clássicos da editora por aqui, não sabe se o novo selo Shorts vai desembarcar no Brasil, mas lança no começo de dezembro uma coleção de livros curtos pelo selo Penguin-Companhia. A série Grandes Ideias (Great Ideas) chega às livrarias com três títulos, tanto em versão impressa quanto eletrônica: O jornal e o livro, de Machado de Assis; Que é o abolicionismo, de Joaquim Nabuco e O mal-estar na civilização, de Sigmund Freud. As cópias físicas saem por R$ 10,90 cada e os e-books ainda não têm preço definido, mas custarão menos – e serão os produtos mais baratos do catálogo da editora. “A ideia desse projeto novo é justamente ter livros mais curtos a preços bem acessíveis”, afirma Matinas Suzuki, diretor executivo da Companhia das Letras.
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*Com informações do Publishnews