A economia criativa recebeu o apoio de deputados durante audiência pública realizada nesta terça-feira (22/11), na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.
A secretária Cláudia Leitão afirmou que a economia criativa movimenta recursos vultosos no mundo, mas engatinha no Brasil, onde arte, criatividade e desenvolvimento ainda não estão devidamente unidos. “A criatividade tem um valor econômico que pode voltar para a pessoa criativa como Índice de Desenvolvimento Humano, retorno para a sua atividade profissional, cultura empreendedora e Produto Interno Bruto. São termos de economia que, em geral, não se usa para a cultura. E nos atrevemos a dizer que essa economia está crescendo em torno de 8% por ano no mundo. No Brasil, ela não foi medida”, disse a secretária.
Cláudia listou cinco desafios imediatos para o setor: necessidade de linhas de crédito; ações educativas; infraestrutura mercadológica; pesquisas de qualidade; e marcos legais que melhor regulem as relações trabalhistas, a desoneração tributária e o uso de recursos tecnológicos.
Quanto às questões educativas, o gerente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Vinícius Lages, avaliou que o conceito de economia criativa amplia as ações de fomento ao empreendedorismo. “Sabemos apoiar quem produz batata, cachaça, café, artigos orgânicos ou mesmo móveis e roupas; mas, como lidar com um poeta que quer transformar a sua arte em uma atividade econômica? Como lidar com uma trupe mambembe? Fomos pouco a pouco superando essa dificuldade de compreensão e entendendo que há sim uma natureza empreendedora e econômica nesse tipo de negócio”, explicou.
Autor do requerimento de realização da audiência pública, o deputado Artur Bruno (PT-CE) disse que o Congresso pode ajudar a destravar os gargalos que hoje atrapalham a circulação de produtos e serviços da economia criativa. “Já estamos convencidos do que ela pode proporcionar em termos de geração de emprego, de desenvolvimento e de divulgação da cultura no nosso País”, ressaltou.
Um seminário sobre o tema foi sugerido pela presidente da Comissão de Educação, deputada Fátima Bezerra (PT-RN), e deverá ocorrer em 2012, antes do lançamento do Plano Brasil Criativo — que é articulado por nove ministérios e será ligado a outros planos governamentais.
Arena Code – Pensar o desenvolvimento do país a partir da perspectiva da economia criativa e dos conteúdos digitais é o objetivo da Arena Code, que acontece nesta semana no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, em Brasília. O evento, promovido pelo Ipea em parceria com o Ministério da Cultura, Serpro, Ministério do Planejamento, Secretaria de Planejamento do Distrito Federal e Cobra Tecnologia, faz parte da programação da 2ª Conferência do Desenvolvimento (Code).
A Arena Code contará com um espaço de 1.000m² onde serão promovidos debates, oficinas e mostras práticas da economia criativa brasileira. Serão apresentados 260 trabalhos inéditos sobre o desenvolvimento, produzidos por especialistas de todo o país por meio de chamada pública. Haverá debates temáticos, oficinas de curta duração e apresentação de casos bem-sucedidos no setor. O visitante terá acesso a sistemas desenvolvidos pelos órgãos públicos e outras entidades, e poderá conectar-se à internet para disseminar suas experiências e observações.
Entre os temas dos debates: Capacitação; Indústrias criativas e de conteúdos digitais; Regulação/legislação; Direito autoral em tempos digitais; Infraestrutura; Interpolaridade e transparência – Governo eletrônico; Comunicação aberta e pública; e Cultura digital.
Saiba mais no site arenacode.ipea.gov.br.
*Com informações dos sites da Câmara e do MinC