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Em nome do Centro Cultural

Projeto do vereador Jooji Hato que pretende alterar o nome do Centro Cultural São Paulo aguarda decisão final após ter circulado por diversos gabinetesUma das mais importantes instituições culturais do país, o Centro Cultural São Paulo, enfrenta uma indecisão em relação a seu nome. Um projeto do Vereador Jooji Hato (PMDB) pretende alterar o nome do local para Centro Cultural São Paulo Manabu Mabe, em homenagem ao artista plástico japonês. O projeto foi aprovado pelo voto simbólico das lideranças da Câmara, passou pela prefeita Marta Suplicy sem ser vetado e circula hoje pelos gabinetes dos vereadores à espera de aprovação.

Aberração
Segundo a revista Carta Capital, o vereador Jooji Hato esforça-se para viabilizar a alteração do nome do Centro Cultural desde 1997. O projeto original, vetado na época, rebatizava o CCSP de Centro Cultural Manabu Mabe – mais digestível que o atual. ?Trata-se de uma aberração porque o CCSP é um centro multidisciplinar, com atividades nas áreas de cinema, teatro, artes, literatura, música, etc. Batizá-lo com o nome de um artista plástico, ainda que de qualidade, reduz consideravelmente a sua dimensão?, escreve Mauricio Stycer para a Carta Capital. ?Seria como rebatizar o Teatro Municipal de Teatro Municipal Leandro e Leonardo?, diz Ilca Zanotto, presidente da Associação de Amigos do Centro Cultural, à revista.

Preferência
A matéria diz que a prefeita Marta Suplicy, que poderia ter vetado o projeto no fim do ano passado, preferiu não desgradar a um integrante da bancada do PMDB (Hato) que apóia o PT em votações importantes na Câmara. A solução da prefeita, para igualmente não dasagradar a intelectuais, como Antonio Candido e Lygia Fagundes Telles, além de instituições culturais publicamente contrárias à mudança de nome, foi, então, de não aprovar o projeto e devolvê-lo à Câmara, sem sancioná-lo ou vetá-lo.

Repasse
A tarefa ficava então a cargo do presidente da Câmara, vereador José Eduardo Cardozo, do PT, que enviou o projeto ao primeiro vice-presidente, vereador Antonio Goulart, do mesmo PMDB de Jooji Hato. Goulart, segundo a Carta Capital, também não promulgou o projeto. O próximo a recebê-lo foi, então, o segundo vice-presidente, vereador Salim Curiati, do PPB, que também não fez nada. Das mãos de Curiati o projeto passou para o gabinete do primeiro-secretário, vereador Celso Jatene, do PTB, que resolveu enviá-lo para o segundo-secretário, o pastor evengélico Vanderlei de Jesus, do PL, que está hoje com a responsabilidade final pois não pode enviar o projeto para mais ninguém. ?A bomba vai acabar estourando na minha mão?, disse Vanderlei de Jesus à Carta Capital. ?Vou ouvir especialistas antes de tomar a decisão?, avisa. ?A cultura não pode ser moeda de troca neste país?, protesta Ilca Zanotto à revista.

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