Relatório cobriu cerca de 240 casos de mais de 170 empresas em desenvolvimento. “Pretendíamos descobrir se responsabilidade social era um luxo de países desenvolvidos, e constatamos exatamente o contrário”12/02/2003
Valor emergente
Na última sexta-feira, dia 7, foi divulgado pelo Instituto Ethos o relatório “Criando Valor – o business case para sustentabilidade em mercados emergentes”, estudo que contribui para o mapeamento da responsabilidade social em países subdesenvolvidos. Realizado pela consultoria britânica SustainAbility, especializada em estratégia empresarial e desenvolvimento sustentável, pelo Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, e pelo International Finance Corporation (IFC), ligado ao Banco Mundial, cobriu cerca 240 casos de mais de 170 empresas de países em desenvolvimento.
“Nós pretendíamos descobrir se responsabilidade social era um luxo de países desenvolvidos, e constatamos exatamente o contrário, que ela pode ser mais eficaz em países em desenvolvimento”, afirma Jodie Thorpe ao jornal Valor, conselheira da SustainAbility. A apresentação do relatório ocorreu no prédio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e contou com a presença de representantes do Instituto Ethos, do IFC, do SustainAbility, da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), da FIESP, e do governo federal.
Efeito responsável
O estudo identificou quais efeitos cada ação de sustentabilidade poderia ter nas companhias. Segundo o Valor, as ações foram divididas em governança e engajamento, foco ambiental, produtos e serviços ambientais e desenvolvimento socioeconômico. Os fatores de sucesso comercial eram divididos em: crescimento de receitas e acesso de mercado, economia de custos e produtividade, acesso ao capital, gestão de riscos e credibilidade, capital humano, e valor da marca e reputação.
As oportunidades mais promissoras identificadas foram a redução dos custos pela diminuição do impacto ambiental e pelo bom tratamento aos funcionários, além do aumento de receita pela melhoria do meio ambiente e favorecimento da economia local.
Participaram do estudo 19 empresas brasileiras, entre elas a C&A, a Odebrecht e a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), Volkswagen e Nova Dutra. De acordo com o jornal, a Volkswagen foi citada pelo seu projeto AidsCare, iniciado em 1996, que visa educar os empregados em relação à doença. O projeto resultou em uma redução de 90% nas hospitalizações e 40% no custo com tratamento. Na Nova Dutra, programas de educação no trânsito levaram a uma redução de mais de 50% em acidentes fatais. A concessionária implementou a campanha “Saúde do caminhoneiro”, que oferece consultas médicas, psicólogos e palestras educativas, e diminui o número de acidentes.
“Sustentabilidade nada tem a ver com relações públicas, mas com melhores operações”, diz ao Valor Peter Woicke, do IFC, que financia empresas comprometidas com questões sócio-ambientais. Segundo o jornal, a IFC tem ações na Microinvest, uma instituição financeira especializada em financiamento para microempresários pobres do Rio de Janeiro. Woicke garantiu apoio de consultoria do IFC às empresas participantes do programa “Fome Zero”.
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