Idealizado pela Fundação Telefônica, o Festival R.I.A. – Reflexão, Interação e Ação trouxe ao Brasil na última quarta-feira (22/8) o filósofo Pierre Lévy. O encontro teve como objetivo a discussão e a reflexão sobre as mudanças e as novas maneiras de interação que vêm acontecendo no mundo, principalmente na internet.
A “utopia do conhecimento” foi a ideia inicial que Lévy apresentou no painel “A construção da Cultura digital – Estética de uma nova sociedade”. A partir desse ponto, ele desenvolveu a noção de inteligência coletiva, que distingue em real e virtual: o real como uma abordagem específica no espaço e no tempo; e o virtual como abstrato, que não possui abordagem espacial e temporal tangível.
Para Lévy, as redes de documentos, conceito que compreende a geração de conteúdo para internet, distinguem-se como “boas” e “ruins”. As redes boas são informações nas quais o leitor confia e pode cooperar, onde os valores de comunidade e de conhecimento são compartilhados para acrescentar informações. Já nas redes ruins não existe algo benéfico, pois não se ajuda e não se coopera para troca de visões de mundo.
Segundo o filósofo, quanto mais redes boas existirem, maior será a inteligência coletiva, formando uma comunidade que emerge do aprendizado individual para compor o conhecimento explícito e qualificado.
Uma comunidade deve compreender o que se lê e estar consciente do valor de cada indivíduo e das instituições que produzem conteúdo e informação para esse grupo, julgando sempre a veracidade das fontes. Cada ser que ajuda a compor a inteligência coletiva deve ter como premissa de qualquer ação as prioridades e como contribuir para o crescimento do todo, apoiando um mercado público e aberto. Assim teremos a economia da informação a favor do aprendizado coletivo.
Por último, Lévy falou sobre a “ética da civilização”, onde a humildade e a ética fazem uma comunidade que não impõe sabedorias, mas sim compartilha, conhece e exerce a ética coletiva para o bom funcionamento do social.