Executivos de canais falam sobre desenvolvimento de séries para TV - Cultura e Mercado

Executivos de canais falam sobre desenvolvimento de séries para TV

O Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS-SP) recebeu no último dia 11 de novembro o Seminário NETLABTV, promovido pela NET e a Casa Redonda. Foi o primeiro dia da semana de atividades dos oito vencedores do concurso NETLABTV, com dois paineis sobre desenvolvimento de séries brasileiras: um sobre não-ficção e outro sobre ficção, com participação de profissionais dos canais Fox, Discovery, A&E/History/Bio e Sony e da Viacom (MTV, VH1,  Nickelodeon).

Foto: Jason TrimA primeira mesa do evento foi composta por Krishna Mahon, produtora executiva do History Channel, Roberto Martha, diretor de produção da Viacom, Gabriela Varallo e Carolina Telles, supervisoras de produção do Discovery, e Elisa Chalfon, diretora de conteúdo da Fox. Sem exceções, todos os palestrantes afirmaram que é fundamental conhecer muito bem os canais antes de enviar um projeto de série. “O melhor jeito de entender o que queremos na programação é assistir o canal e ver os tipos de programas que estamos veiculando. É preciso assistir e gostar de televisão”, afirmou Krishna Mahon.

A produtora-executiva do History, A&E e Biography Channel contou que o History não está mais procurando “documentários chatos e antigos de história”, que são os conteúdos da maioria dos projetos recebidos. A produtora revelou que ‘O Infiltrado’ é um ótimo exemplo de série que tem um formato divertido, um conteúdo profundo e funcionou muito bem no canal.

Gabriela e Maria Carolina, do Discovery, contaram que a marca já possui 12 canais no Brasil e é líder mundial de não ficção. “Os nossos programas possuem um tratamento criativo da realidade. Queremos viajar pela história através do olhar humano. O espectador tem que vivenciar a experiência, acompanhar a aventura enquanto ela acontece”, afirmaram.

Elisa Chalfon falou apenas sobre os canais de não ficção da Fox – FoxLife, Bem Simples e NatGeo – e revelou que os dois primeiros se unirão para formar o FoxLifestyle, com um perfil mais abrangente e coeso e o lema #curtaavida. Já o NetGeo tem um público masculino de 35 a 45 anos e busca unir conhecimento com entretenimento. “É o que chamamos de entretenimento factual e queremos personagens que contribuam com as histórias. Além disso, preferimos séries com temporadas longas”, revelou.

Para Roberto Martha, da Viacom, quanto mais customizado e alinhado o projeto estiver com o perfil do canal, maiores as chances dele ir ao ar. “O projeto pode ter uma boa premissa, mas ainda assim não servir no meu canal, e existem limites para a adaptação de uma ideia”. Ele também deu um exemplo de como a proposta deve ser bem elaborada para instigar o canal: “Se você me disser que quer fazer um reality para arrumar uma namorada para um senhor de 47 anos, eu não vou querer. Mas, se esse senhor for o Supla, as coisas mudam.”

Em relação ao envio de projetos, todos os palestrantes relataram que são itens obrigatórios: o descritivo da ideia, a sinopse, o cronograma, o orçamento, a apresentação da produtora e da equipe e um teaser, uma promo ou alguma demonstração audiovisual do projeto, quando possível. “O projeto tem que ter concisão e assertividade também, porque nós não temos tempo para ler 200 slides ou páginas”, acrescentou Elisa.

“Além disso, o canal precisa ter possibilidades de financiamento. As pessoas esquecem que os canais não são a única alternativa para isso. Existe a possibilidade de patrocínios, de dividir a conta, de fazer pacotes e até parcerias com outro canais”, completou Krishna.

Caminhos – Marcello Braga, diretor de conteúdo da Fox, disse que existem três maneiras distintas para o surgimento de novos projetos: a produtora pode trazer a ideia para a Fox; a Fox pode levar a ideia para a produtora; ou o roteirista pode levar a ideia para a Fox, e o canal vai atrás de uma produtora. Essa última alternativa é a mais difícil, segundo o diretor. Ele ainda explicou que a Fox consegue avaliar cerca de 200 projetos por ano, que se interessa por 60 deles e que vão filtrando até escreverem o piloto de 25 deles para entender o verdadeiro potencial do projeto. Destes 25, apenas cinco viram séries e, dessas, apenas uma faz sucesso.

“Foi justamente para aumentar as chances de produzirmos mais sucessos que a Fox decidiu criar um berçário de desenvolvimento de ideias”, afirmou o diretor. De acordo com ele, serão investidos US$ 30 mil por projeto para que ele se desenvolva a quatro mãos (da produtora com a Fox). Se após o desenvolvimento não houver interesse de distribuição, o detentor da ideia não deverá nada à Fox.

Para Braga, as produtoras ainda estão muito acostumadas com a produção de cinema. “Na televisão precisa ser diferente. É preciso usar mais ganchos. Nos primeiros três minutos para fisgar o espectador, outro entre um bloco e outro e outro, ainda mais importante, para o episódio seguinte”.

A Sony está presente em mais de 159 países e possui 11 milhões de assinantes no Brasil, onde se instalou há 17 anos. Alexandre David, responsável pelo desenvolvimento e produção de séries dos canais, explicou que, quando o canal é internacional, não basta a autorização do diretor de produção no Brasil. O projeto precisa ser aprovado pela matriz da empresa. “Por isso ter um piloto do projeto é muito vantajoso. Ele facilita a comprovação de adequação ao perfil do canal”, explicou.

Silvia Fu Elias, diretora nacional de conteúdo da Turner, explicou que a empresa possui 15 canais no Brasil e nove deles realizando produções nacionais. Os de ficção são TNT, Space, Tbs e Cartoon Network. “No primeiro momento da lei da TV paga nossa solução foi adquirir filmes nacionais, mas estamos com bastante interesse em desenvolver projetos por aqui também”, revelou.

Quando questionados pelo moderador Roberto Moreira sobre o que mais sentem falta nos projetos do Brasil, os palestrantes concordaram que faltam boas ideias originais. “Nós não queremos uma mimetização, um Friends brasileiro”, afirmou David.

De acordo com Silvia, existe também uma falta de pesquisa e renovação. “A Turner recebeu muitos projetos de documentário com fórmulas antigas e nós não temos nenhum canal que exibe documentários”, desabafou. Marcelo Braga reafirmou a falta de originalidade: “Nós temos uma infinidade imensa de assuntos para serem tratados em variedades e a gente só recebe sempre os mesmo formatos de programa culinários e de viagem.”

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