Feira de negócios do audiovisual em Cannes cresce 10%

Reportagem do jornal O Globo da última terça-feira (22/5) informa que, apesar da crise no continente europeu, têm sido produtivas as negociações no Marché du Film, setor do Festival de Cannes onde são fechadas parcerias de coprodução e distribuição. Nesta edição, a feira registrou um crescimento de 10% no número de companhias produtoras presentes, em comparação com 2011.

Segundo Jérôme Paillard, diretor-geral do evento, o Marché du Film vai fechar este ano com 4,6 mil expositores – quase 500 a mais do que no ano passado, quando a crise ainda não havia se espalhado.”E todos estão com interesse ativo em coproduções com outros países”, afirma Paillard.

Por meio de novos fundos de investimentos e fórmulas alternativas de fomento, o cinema da Europa encontra alternativas para manter sua produtividade.”O que explica a sustentabilidade da economia do cinema na Europa é que nós sofremos os impactos da crise de véspera, antes dos outros setores da atividade comercial e industrial. Em 2008, houve uma queda brusca no nosso cinema, estimada entre 20% e 30%, em relação aos primeiros anos da década anterior, causada pela falência do mercado de vídeo doméstico, ou seja, de venda e locação de DVDs e Blu-Ray”, explica.

“Ao mesmo tempo, houve uma retração das TVs, entre os canais que apoiavam a produção. Nesses quatro anos, percebemos que era necessário criar alternativas, buscar contato com outros países, fora do território europeu. Por isso, embora a crise seja uma assombração generalizada, ela não é mais capaz de travar a produção”, comenta O direotr-geral.

Uma das medidas encontradas pela Europa para preservar a saúde econômica de seu cinema foi anunciada nesta segunda-feira (21/5), durante o festival: a criação do programa Creative Europa. Iniciativa da Comissão da Comunidade Europeia, instituição que coordena os países signatários do tratado de cooperação multinacional do continente, o programa promete investir 19 milhões na produção audiovisual, em diferentes setores, de 2014 a 2020. Os projetos que pleitearão o fundo serão submetidos a uma seleção pública, feita por especialistas em cinema.

Intercâmbio – A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, está em Cannes. Em seu primeiro contato com a nova ministra da Cultura e da Comunicação da França, Aurélie Filippetti, ela tratou de expandir as relações entre os países na área cultural. “Ela está assumindo agora, mas assim que formar sua equipe teremos uma agenda intensa de acordos bilaterais”, afirmou a ministra brasileira.

Ana destacou ainda que há interesse dos franceses em fazer parcerias na área de audiovisual e ampliar as co-produções com o Brasil. “Acredito que o audiovisual é uma forma de conhecer melhor o trabalho cultural da nossa terra”.

Na terça-feira (22/5), um jantar em homenagem ao Brasil reuniu a delegação brasileira com a comunidade (diretores, cineastas e produtores) do cinema internacional. Também estiveram presentes o diretor do Festival, Gilles Jacob, e o diretor geral artístico, Thierry Freumax.

A comitiva brasileira está composta da ministra Ana de Hollanda, do diretor-presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Manoel Rangel, e da secretária do Audiovisual do MinC, Ana Paula Santana.

Nesta quarta-feira (23/5) a delegação brasileira se encontrou com o presidente do Centre National du Cinéma et de l’image animée (Centro Nacional do Cinema e de Imagem e Animação), Eric Garandeau, além de visitar o Marché du Film (Museu do Filme), onde foram recebidos pelo diretor Jerome Paillard.

*Com informações do jornal O Globo e do site do MinC

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