O Festival de Teatro de Curitiba, maior vitrine de peças teatrais do país, teve início nesta terça-feira (29/3). Apesar de ser “um festival comercial desde o primeiro ano, que depende da bilheteria para fechar o orçamento”, como disse à Folha de S. Paulo o diretor geral Leandro Knopfholz, em sua 20ª edição o festival vivencia uma mudança que pode não beneficiar tanto seus bolsos, mas com certeza enriquece o teatro.
O cardápio da mostra oficial é como sempre variado, surpreendendo ao abrir espaço efetivo para a dramaturgia do país, para além dos habituais blockbusters, comédias, espetáculos de Cias. consagradas, de stand-up e musicais. “É a primeira vez que o festival tem a dramaturgia brasileira como eixo curatorial”, diz Knopfholz.
A iniciativa não é da organização do evento, mas dos grupos que criaram nove mostras com curadorias. Cada uma apresenta entre cinco e dez espetáculos ou leituras cênicas. O objetivo é garantir sobrevivência ao pensar teatral e, claro, aos grupos.
“Um festival que dura tanto tempo, e que tem tal projeção no país, tem, de certa forma, que ser tomado pelos artistas”, diz Marcio Abreu, diretor da paranaense Cia. Brasileira de Teatro. Ele sentia falta de um espaço para a troca entre artistas. Idealizou um evento de leituras que investiga o ineditismo em diferentes vertentes artísticas e reúne pesquisadores de linguagem, como os autores e diretores Roberto Alvim e Grace Passô. Também apresenta o novo trabalho da Cia., “Oxigênio”, de Ivan Viripaev.
“O teatro de investigação está ganhando maior evidencia no Fringe”, diz o autor e diretor curitibano Marcos Damaceno, responsável pelas mostras Sesi Dramaturgia e Novos Olhares. Os eventos apresentam uma nova geração de dramaturgos, como Diego Fortes, que escreveu e dirigiu “Os Invisíveis” em colaboração de Grace Passô.
Ivam Cabral, o único do time que não é do Paraná, traz a efervescência da praça Roosevelt para Curitiba, na mostra intitulada Conexão Roosevelt. Cabral participou deste movimento curatorial que começou a se destacar no ano passado. Contava com dois adeptos: ele e o ator Chico Pelúcio.
As mostras Novos Repertórios e Novelas de Todos os Cantos também voltam-se para inovação teatral. “Além de incentivar encontros entre companhias que conseguem dialogar artisticamente, o público também se beneficia no momento de montar sua agenda de espetáculos”, diz Pablito Kucarz, integrante do grupo Teatro de Breque, de Curitiba, e um dos curadores da mostra Novos Repertórios.
O diretor do festival acredita que o futuro do Fringe – polêmica mostra paralela, que desta vez abriga 370 peças – esteja neste movimento curatorial.
Graças à mobilização de artistas, o Festival de Curitiba começa a revelar uma faceta essencial para um evento com sua relevância. Dá sinais de que pode ser mais do que uma vitrine. O evento pode tornar-se um espaço de experimentação.
*Com informações do jornal Folha de S. Paulo