Festribal mostra riqueza cultural indígena da Amazônia

De 26 a 28 de Julho, as tribos indígenas Munduruku e Muirapinima deixam ecoar seus cantos e ritmos durante o Festival das Tribos Indígenas de Juruti (Festribal), realizado em Juruti, extremo Oeste do Pará. No Tribódromo – palco da festa, em forma de canoa – diante de milhares de pessoas, as duas tribos desfilam figuras saídas do imaginário caboclo. A festa é preparada durante meses para que, enfim, no mês de julho, seja revelado o grande espetáculo. As lendas e os rituais indígenas são quesitos obrigatórios, para mostrar toda a riqueza cultural da Amazônia.

Amparadas por uma gigantesca estrutura cênica, com luzes que mudam de cor, alegorias que se movimentam, voam e soltam sons, as tribos envolvem centenas de pessoas. Durante as apresentações a céu aberto, um narrador explica cada item em julgamento e motiva o público torcedor da tribo que se faz presente. Juruti lota no período da festa e fica mais alegre com as cores vermelho e amarelo da tribo Munduruku e vermelho e azul da tribo Muirapinima.

Nesse período a oferta de hospedagem é insuficiente, mas nem isso tira o brilho e a vontade dos visitantes de participar do festival. Dessa forma, muita gente improvisa hospedagem, dormindo em redes nos barcos ancorados na margem do rio Amazonas. A diversão também ocorre nos bares e restaurantes, sempre ao som das músicas das tribos e motivadas por criativas coreografias. Este ano, a comissão organizadora do evento estima atrair cerca de 30 mil pessoas.

Preparativos
Os preparativos para o Festribal e os ensaios das tribos estão intensos. Todas as noites, a partir das 20 horas, a população local e os visitantes se dividem entre acompanhar as coreografias e aprender os cantos da tribo Munduruku, no Universo Mundurukus, e da tribo Muirapinima, na Ocara Muirá. As tribos têm torcidas organizadas e o comportamento da galera, como são chamadas as torcidas, contam na pontuação da disputa.

Júnior Batista, presidente da Munduruku, diz que a novidade da tribo este ano é a estréia da nova Índia Guerreira, um dos itens que vão a julgamento. Ney Juruti, vice-presidente da tribo oponente, Muirapinima, diz que a graça na disputa está em dançar muito e usar as indumentárias confeccionadas pelos artistas.

Estrutura
A estrutura do Festribal cresce a cada ano. De acordo com o antropólogo Aiézer Duarte Filho, antes se trabalhava com recursos mínimos e muito improviso. Hoje a dimensão é muito maior, em função do patrocínio oficial da Prefeitura Municipal e do Governo do Estado. Diversas instituições também apóiam a festa. A Alcoa, que implanta uma mina de bauxita no município, investe pelo terceiro ano consecutivo nesta festa. Juruti está no mesmo caminho do município vizinho de Parintins, estado do Amazonas, onde os investimentos da iniciativa privada na “Festa dos Bois” mudaram o perfil socioeconomico do município.

Em novembro do ano passado a Companhia destinou verba para a recuperação dos galpões das duas tribos, onde são construídas as alegorias, além de mais recursos este ano para as apresentações. Segundo o gerente de Sustentabilidade e Assuntos Institucionais da Alcoa, Mauricio Macedo, o apoio contribui com a preservação da cultura local. “A força e a cultura do povo jurutiense são marcantes”, afirma.

Além de apoio e patrocínio, ainda prevalece a vontade e a criatividade da população em realizar o Festribal. “O povo jurutiense transpira Festribal em Julho. Juruti sempre foi um berço de festas. O povo local é muito festeiro”, conclui.

 

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