George Howard explica as novas regras da indústria da música

A indústria da música já há algum tempo passa por uma crise de consequências marcantes e com diversas especulações sobre as direções que o negócio da produção fonográfica vai tomar. O jogo mudou, a forma de jogar também e para fazer parte de maneira competitiva no mercado da música é necessário entender as novas regras.

George Howard, presidente da Rykodisc, editor executivo da Artist Music House e professor do College of Business Administration em Loyola, Nova Orleans, escreveu um artigo onde aponta as novas regras do jogo da música. O especialista dividiu em duas categorias: regras para a indústria e regras para os artistas.

Não existe nenhum grande segredo revelado nessas novas regras apontadas por Howard, mas vale a pena destacar algumas delas.

Para a indústria – As principais orientações para os selos, gravadoras, editoras, e agentes de shows são: “Seja transparente -não se esconda mais por trás de cálculos complexos de royalties. Seja honesto. Ofereça uma contabilidade clara e precisa. O mundo digital propicia fazer isso de maneira muito fácil”.

Howard ainda acrescenta: “Parem de açucarar e esconder a realidade – Parem de prometer coisas que vocês sabem que não podem fazer. Não são todos que serão estrelas, por isso, seja honesto e diga a verdade. Deixe o músico e artista saberem das realidades do mercado para que eles possam entender de forma clara o que é necessário fazer para ter sucesso”.

O autor busca ressaltar um mal entendido nas relações de trabalho indústria-artista e lembra que deve-se “reconhecer que você trabalha para o artista, não o contrário – sem artista, nenhum de nós terá trabalho. Eles são os únicos com o talento. Eles criam cultura e escrevem canções que têm um impacto sobre o mundo. São eles quem nos permitem atendê-los, e não o contrário”.

A respeito as formas de divulgação e promoção artística, o professor aponta que são necessários novos entendimentos. “As rádios comerciais e a MTV sozinhas não revelam novos artistas – a imprensa, comerciais de rádio e MTV foram as três maneiras usadas para revelar uma banda, não mais. Agora os próprios fãs têm esse poder através de redes sociais. Deve-se encontrar maneiras de falar com os fãs diretamente e não usar um intermediário”.

Para os artistas – Já para o lado artístico-criativo desta moeda, o ponto chave é tomar as rédeas da administração de sua carreira como qualquer outro profissional. “Claro que pode e deve ter ajuda de pessoas especializadas, mas é preciso pelo menos entender bem o negócio que está inserido”.

Howard destaca ainda várias regras a serem seguidas pelos artistas, uma das mais importantes é “educar-se – não é mais aceitável (ou encantador) para um artista ser desinformado e não saber a diferença entre os tipos de royalties e direitos autorais. Você não pode dizer que foi enganado por ninguém neste ponto, a informação que você precisa está lá fora, e não é tão difícil de encontrar”.

O empresário e estudioso do ramo frisa também que é importante assumir a responsabilidade sobre sua música. Para isso é deve-se agir.

“Esperando por um agente que feche shows para uma turnê? À espera de um produtor antes de fazer uma gravação? À espera de um selo antes de distribuir ou promover a sua música? Adivinha?! Tem alguma outra pessoa que não está esperando por ninguém, e ele ou ela está te deixando na poeira. A pior coisa que você pode fazer é nada”.

Howard, por fim, lembra que hoje mais do que nunca “a nova indústria da música é global. Com o clique de um botão sua música está disponível para comprar, compartilhar transmitir e baixar qualquer lugar do mundo. Tenha isso em mente quando você pensar sobre onde seu dinheiro está sendo gerado e como obtê-lo”.

Clique aqui para ler o artigo completo (em inglês).

Fonte: O Globo Online

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