Em encontro de orquestras sinfônicas, organizado pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) ministro firmou o compromisso do MinC em intensificar o diálogo junto ao segmento da música erudita.
Em encontro de orquestras sinfônicas, organizado pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), realizado nesta sexta-feira, dia 08 de dezembro, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, firmou o compromisso do MinC em intensificar o diálogo junto ao segmento da música erudita.
“Há quatro anos, quando assumimos o MinC, não tínhamos uma política específica para a música erudita. Mas nós conseguimos caminhar, um pouco, neste terreno: os editais de apoio e o trabalho conjunto com o Ministério da Educação para a reinserção das linguagens artísticas nos currículos escolares são alguns dos passos que conseguimos dar. Os desafios ainda são muitos. O MinC quer e tem o dever de estimular e participar da formulação de uma política que dê conta não apenas das orquestras. Precisamos estar atentos a todas as demandas desta área”, afirmou o ministro.
O ministro encerrou seu discurso lembrando outras ações que o Ministério pretende priorizar neste segmento, entre as quais: recuperação de partituras de música brasileira, universalização do acesso às publicações impressas e via internet, fomento a centros de excelência musical e oferecimento de bolsas de estudo para novos talentos.
Durante o evento, o assessor da secretaria executiva do MinC, Afonso Luz, detalhou as propostas de encaminhamento do Ministério para o setor, ressaltando que, a partir de fóruns, como as câmaras setoriais, além de conversas realizadas com o segmento, o Ministério da Cultura recolheu algumas contribuições. “Uma das idéias é que o Estado passe a ter uma instituição que possa reunir os vários institutos que historicamente atuam no setor. Hoje, por exemplo, as partituras são cuidadas pela Biblioteca Nacional, o Iphan cuida de outra parte, ligada ao Museu Villa Lobos, já a Funarte tem outra parte”, explicou Afonso Luz. “A idéia é que, a partir dessa nova instituição, possamos constituir uma política pública sistemática para a música erudita. São heranças do Estado brasileiro que precisam ser rearranjadas para gerarmos uma política que possa quantificar e mensurar as atividades, mapear formas de financiamento e modelos de economia e estimular reflexões sobre sustentabilidade e inserção na indústria fonográfica”, completou.
Entre as propostas apresentadas há ainda a promessa de ampliação de editais públicos que o MinC desenvolveu para a música erudita. “Os editais são formas de atender não só uma orquestra, um projeto ou um evento, mas de criar critérios e frentes de ação que possam ter escala, que possam atender várias orquestras do país. Esse germe também será plantado no edital que será lançado no próximo ano, que deve apresentar categorias que envolvam desde a questão de instrumentos e a qualidade técnica até a requalificação do espaço das orquestras. Queremos que esse edital também atenda a preservação e recuperação de partituras”, declarou Afonso Luz.
O diretor artístico da Osesp, maestro John Neschling, ressaltou a importância de se promover intercâmbios entre os conjuntos sinfônicos nacionais representados no encontro, e considerou fundamental a articulação das orquestras para uma melhor representatividade na defesa de suas propostas. “Esperamos que este seja o primeiro passo para que, em breve, tenhamos uma associação de orquestras brasileiras nos moldes de instituições como a American Symphony Orchestra League”, completou.
O evento, que tem entrada franca e termina no próximo domingo, é composto por quatro painéis abertos ao público, e tem como objetivo debater a realidade das orquestras sinfônicas brasileiras profissionais, destinando-se a um público de administradores, regentes e músicos das orquestras brasileiras com programação regular, bem como a secretários da Cultura de estados e município brasileiros e a administradores culturais e profissionais. Os temas abordados em quatro painéis são: Orquestra e Política Cultural; Orquestra e o Patrocínio Privado; Orquestra como Usina Indutora de Trabalho e Consumo; e Direção Artística e Programação.