Governo e representantes do setor discutem potencial criativo do Brasil

Representantes de diversos segmentos criativos brasileiros, advogados e dirigentes e técnicos do Ministério da Cultura reuniram-se nesta segunda-feira (27/8) para definir o Plano Brasil Criativo, que propõe a integração de políticas e programas de diferentes setores de governo para fortalecer a Economia Criativa Brasileira e inserir os segmentos criativos nas estratégias governamentais para o desenvolvimento do país.

Durante a abertura do encontro, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, ressaltou o “grande potencial criativo” do país e lembrou que há problemas legislativos e tributários e que é importante o diálogo entre os diferentes setores. A discussão focalizou os problemas relacionados às políticas de fomento aos empreendedores criativos e os marcos legais (leis, portarias e decretos) para o setor.

O secretário-executivo do MinC, Vitor Ortiz, e a secretária do Audiovisual, Ana Paula Santana, também participaram da abertura dos trabalhos, além da secretária da Economia Criativa, Cláudia Leitão, que enfatizou a criação de sistema de informação para o segmento criativo, a formalização dos pequenos empreendedores, a qualificação dos profissionais e a competitividade do produto criativo brasileiro em âmbito internacional para a geração de emprego e renda no país.

Segundo ela, é fundamental considerar as particularidades do Brasil, especialmente a diversidade cultural do país, e não importar fórmulas praticadas em outros países. “Precisamos desenvolver o nosso próprio modelo para a economia criativa”, afirmou.

O design e arquiteto Marcelo Rosenbaum reforçou a necessidade de os empreendedores criativos utilizarem o “fazer a mão” das culturas tradicionais. “Meu trabalho é cada vez mais focalizado no desenvolvimento local, através do artesanato, com uma intervenção muito sutil do design, conversando com artesão, entendendo o seu saber e suas raízes”, explicou.

O estilista Ronaldo Fraga, que utiliza elementos da cultura brasileira em suas criações, com passagens pela Parson’s School of Design de Nova Iorque e Saint Martins School de Londres, disse que as políticas de fomento, no Brasil, devem observar a diversidade regional e fortalecer as culturas populares.

“Existe uma distância oceânica entre as manifestações, que é fazer um trabalho no interior do Pará e conseguir que isso chegue aos grandes centros”, ressaltou. “Falta investimento em pesquisa sobre os saberes e fazeres tradicionais, não existe um museu da moda no Brasil, da moda donosso jeito, um museu da moda que dialogue com a cultura brasileira.”

Representando o segmento criativo do audiovisual, o cineasta, roteirista e montador Marco Altberg apontou as dificuldades fiscais. “Tem a questão do impostos sobre a importação de equipamentos, a questão trabalhista, a questão da legislação, o país cresceu, é uma potência, e sua atividade cultural e artística precisa acompanhar essa nova configuração”, ponderou.

Os demais representantes de segmentos criativos presentes à oficina foram Sérgio Perim Junior (circo); Espedito Seleiro (artesanato); Durcelice Cândida, (artesanato pelo Sebrae); Jum Nakao (design e moda); Moacyr Alves Junior (games); Eliana Finkelstein (artes visuais); Fabiano Carneiro (dança e teatro); Chico Pelúcio (teatro); Lúcia Matos (dança); Felipe Tavares (animação); e Fernando Barroso (gastronomia).

Ao final dos debates, a secretária Cláudia Leitão disse que as propostas apresentadas pelos diversos segmentos serão sistematizadas e encaminhadas aos representantes criativos.

*Com informações do site do MinC

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