Guerra ameaça patrimônio histórico mundial no Líbano - Cultura e Mercado

Guerra ameaça patrimônio histórico mundial no Líbano

Ataques de Israel ao Líbano colocam em perigo as ruínas romanas nas cidades de Tiro e Baalbek, além de sítios mais remotos ligados ao culto do deus Baal na antiguidadeA cidade de Baalbek, que se tornou alvo de pelo menos 17 ataques aéreos israelenses que mataram três civis, localiza-se no Vale do Bekaa (80 quilômetros a leste de Beirute, próxima à fronteira com a Síria), onde antigas culturas sobrepuseram-se deixando testemunhos arqueológicos declarados em 1984 como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

As origens de Baalbek, sede do culto do deus Baal, chamada Heliópolis na Idade Helenística, remontam a duas colônias de habitantes provenientes de Canaã, datadas da idade do bronze, sobre as quais os romanos construíram sucessivamente diversos templos e outras obras, cujas ruínas se podem admirar até hoje, junto aos restos do imponente templo de Júpiter, ao qual era dedicado o santuário.

A partir de 1955 começou a ser organizado o Festival de Baalbek, uma reunião de espetáculos de vários gêneros, interrompida pela guerra civil libanesa (1975-1990), quando a cidade, hoje com cerca de 20 mil habitantes em sua maioria xiita, tornou-se um reduto do movimento islâmico Hezbollah.

Após 1990, a situação normalizou-se lentamente, tornando possíveis as visitas turísticas ao sítio arqueológico, e a partir de 1997 foram retomadas as edições do Festival de Baalbek.

Cessar-fogo – O ministro da Cultura libanês, Tarek Mitri, fez um apelo para que o diretor-geral da Unesco, Kochiro Matsuura, interceda e tente o cessar-fogo de bombardeamentos israelenses que ameaçam duas antigas cidades romanas no Líbano, consideradas patrimônio cultural mundial. A informação foi divulgada pela agência oficial libanesa NNAao.

No apelo, Mitri afirmou que as ruínas romanas em Tiro e Baalbek, respectivamente no sul e a leste do Líbano, “correm perigo imediato” por causa dos bombardeios israelenses.

“Solicito a sua intervenção o mais rápido possível para que, com base na convenção de Haia de 1954, que determina a proteção do patrimônio cultural em tempos de conflitos armados, Israel suspenda os ataques que ameaçam Baalbek e Tiro. Isso, para prevenir uma catástrofe a um patrimônio cultural mundial”, escreveu Mitri no apelo.

História e mitos – Além das ruínas romanas, o sítio de Baalbek ainda guarda o famoso terraço de Baalbek no vale de Beqa’a, que é uma das cartas fortes dos divulgadores da hipótese de “antigos astronautas”, segundo a qual, em um passado longínquo, habitantes de outros mundos visitaram a Terra. Esses navegantes dos espaços interestelares teriam deixado como prova de sua passagem mitos dispersos e construções inexplicáveis.

Supostamente, o Grande Terraço de Baalbek é uma dessas construções que a arqueologia moderna, com todos os recursos de que dispõe, é incapaz de explicar. Ninguém sabe quem o edificou, nem quando, nem como. Um conjunto de templos da época romana foi construído entre os séculos I e III d.C. sobre ruínas gregas prévias, e os edifícios gregos sobre outras ainda anteriores. O Grande Terraço é uma plataforma construída com as maiores pedras talhadas conhecidas, blocos megalíticos que foram cortados com grande precisão e colocados para formar fundamentos de 460.000 metros quadrados de superfície. Nesta plataforma, encontram-se os três colossais blocos conhecidos como o Trilithon, cada um dos quais mede quase 20 metros de comprimento, com uma altura de aproximadamente 4 metros e uma largura de 3. O peso de cada um desses monolitos monstruosos foi estimado entre mil e duas mil toneladas; são de granito vermelho, e foram extraídos da pedreira a mais de um quilômetro de distância, vale abaixo em relação à construção. Não existe nenhum mecanismo na atualidade nem nenhuma tecnologia moderna capaz de mover seu grande peso e colocá-o precisamente nesse lugar. É ainda mais extraordinário o fato de que na pedreira exista um bloco ainda maior, conhecido pelos árabes como Hajar el Gouble, ou Pedra do Sul. Naturalmente, com respeito a tudo isto, a ciência oficial permanece em um silêncio embaraçoso.

Fonte: Agência Carta Maior / ANSA

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