As últimas baixas nas filiais do Museu e Fundação Solomon R. Guggenheim, mantenedor de uma série de instituições culturais de grande porte nos Estados Unidos e na Europa, parecem não ter adiado os planos de expansão da entidade. Em entrevista ao jornal O Globo do último sábado (30/6), Richard Armstrong, diretor-geral da instituição desde 2008, anunciou parceria com o banco suíço UBS para investir em três novos mercados: América Latina, Sudeste da Ásia e Norte da África ou Oriente Médio.
No primeiro semestre do ano, a Guggenheim sofreu três grandes golpes. Em janeiro, as autoridades de Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos, anunciaram que a filial prevista para abrir na cidade em 2014 sofreria um atraso de três anos. Duas semanas mais tarde, o Deutsche Bank anunciou o fim da parceria que há 14 anos mantinha aberta a filial da entidade em Berlim.
Para concluir, há cerca de um mês, o conselho municipal de Helsinque, a capital da Finlândia, decidiu derrubar o projeto de construção de uma nova unidade do museu nova-iorquino na cidade.
O diretor-geral afirma que não houve crise. Ele explica que, no caso de Helsinque, não foi a cidade que rejeitou o projeto, mas alguns conselheiros. “Vamos amadurecer nossa defesa para uma possível segunda chance de expor a ideia. Estamos aguardando um novo convite para defendermos o projeto com mais vigor”, afirma.
“Os árabes adiaram a abertura do Guggenheim Abu Dhabi em três anos porque não conseguem construir três museus ao mesmo tempo e priorizaram o Louvre. Acho humanamente aceitável”, comenta. O episódio em Berlim é fruto das mudanças pelas quais a cidade passou nesses 14 anos de parceria entre a Guggenheim e Deustche Bank. “Decidiram que era hora de buscar outros caminhos, olhar para outras direções”, concluiu.
O projeto financiado pelo banco suíço UBS destinará verbas para a contratação de curadores nas três regiões para montar coleções de artistas locais e realizar exposições. Os nomes serão escolhidos através de “olheiros” da entidade, espalhados pelo mundo.
“Não aceitamos currículos. Temos uma espécie de rede de headhunters nessas três regiões do planeta de olho em bons curadores em início de carreira. Essas pessoas, que são da nossa inteira confiança, indicarão possíveis nomes, e nós decidiremos quem fica. Serão todos iniciantes com potencial em curadoria que possam se beneficiar dessa residência no Guggenheim e que tenham total disponibilidade para voar de um lado a outro do planeta por dois anos”, explica.
De acordo com ele, brasileiros têm grandes chances de fazerem parte do projeto. “O Brasil é um candidato forte. Tanto é que em dezembro irei a Inhotim, para uma exposição da colombiana Doris Salcedo, e pretendo conversar com Bernardo Paz, que é um grande amigo. Tenho certeza de que ele terá bons nomes para sugerir”.
A entrevista completa está disponível aqui.
*Com informações do jornal o Globo