Embora a quantidade de títulos seja grande, profissionais da área encaram os mecanismos utilizados para a circulação de livros no país como o maior empecilho para o aumento de renda do setor
O mercado editorial brasileiro é o sétimo maior do mundo, em termos de exemplares produzidos. Diante de países com forte tradição de leitura, como Espanha, Reino Unido e Itália, o setor, conforme Breno Lerner, diretor da Editora Melhoramentos, ainda precisa dinamizar o seu processo de distribuição.
“A eficiência na distribuição é o grande gargalo do mercado. Num país de 180 milhões de habitantes, temos 1.100 livrarias e não conseguimos ter uma biblioteca por município,” salienta Lerner.
Segundo o livro, A Economia da Cadeia Produtiva do Livro, escrito pelos economistas Fabio Sá Earp e George Kornis, é comum entre profissionais do meio considerar a distribuição o principal problema do livro no Brasil. A afirmação, de acordo com eles, não apresenta fundamentação teórica, pois inexistem estudos relacionados especificamente ao tema.
Os pesquisadores, porém, admitem haver entraves financeiros na cadeia distributiva. “As distribuidoras operam com uma margem de 10% a 15% sobre o preço de capa do produto, o que pode tornar inviável colocar em Manaus um único exemplar impresso em São Paulo com o preço de capa de R$ 20,” explica o texto do estudo, lançado em maio deste ano e realizado a partir de encomenda do BNDES.
O Brasil tem cerca de 4.000 editoras, segundo a Câmara Brasileira do Livro. Destas, apenas 520 são economicamente ativas, isto é, produzem dez mil exemplares por ano ou cinco títulos diferentes. Somente 1% desse total chega às bibliotecas, diferente do que ocorre nos Estados Unidos, por exemplo, onde o índice sobe para 30%.
Preço
O diretor executivo da CBL, Armando Antongini, diz que o círculo de compradores de livros no país é de apenas 30 milhões de pessoas. Para ele, campanhas publicitárias de alcance nacional e o emprego de ferramentas de merchandising pelas livrarias são métodos de incentivo à leitura e compra.
“Temos uma boa rede de livrarias. Acho que o hábito de leitura não se desenvolveu como o mercado,” comenta Antongini, que vê com otimismo o futuro da indústria.
O estudo de Earp e Kornis aponta o Brasil como um dos integrantes do grupo de países que menos consome livros, ao lado de Argentina, México, Rússia. O preço do produto, considerado caro pelos economistas, é semelhante ao que se paga na Alemanha e Bélgica.
“O preço é resultado de uma espiral nefasta: pouca distribuição leva a pouca venda, que leva a baixas tiragens, que levam a altos preços,” diz Lerner.
Produção
Com o objetivo de aumentar a produção do setor, o BNDES iniciou neste ano a concessão de crédito, através de financiamento, a editores que almejam ingressar na indústria. Antongini ressalta que o benefício exige garantias bancárias, “e o mercado não está capitalizado para isso.”
No final de 2004, o governo federal determinou a isenção das taxas de PIS e Cofins ao setor. As editoras projetaram para 2005 um aumento de 20% no volume de vendas em relação ao ano anterior. Mas, segundo o site da CBL, esse percentual foi revisto para menos e ficou em 10%.
Conforme consta no portal da entidade, em 2004 o setor teve faturamento de quase R$ 2,5 bi. Quanto ao panorama deste ano, Antongini diz que será divulgado em dezembro.
Luiz Fernando Oliveira