O Instituto Cultura em Rede realizou em 1º de setembro, em Florianópolis, um seminário estadual de imersão sobre como se dará o processo de organização, informação e formação dos agentes culturais e gestores públicos daquele estado.
O Instituto Cultura em Rede realizou em 1º de setembro, em Florianópolis, um seminário estadual de imersão sobre como se dará o processo de organização, informação e formação dos agentes culturais e gestores públicos daquele estado. O evento contou com a presença da equipe do Instituto, coordenadores regionais, além dos consultores culturais do Instituto Pensarte de São Paulo, Leonardo Brant e André Martinez.
Pedro Alípio, presidente do Instituto Cultura em Rede, esclareceu que a “Rede de Integração Cultural de Santa Catarina” é uma política de Estado cuja continuidade vem sendo executada pelo Instituto, em parceria com a Secretaria de Estado do Turismo, Cultura e Esporte. Segundo ele, existe um termo de cooperação técnica que formaliza tal parceria. “Enquanto terceiro setor, nós temos mais liberdade para gerir o projeto e manter boas relações com o governo, mas nosso desafio é dar conta da gestão compartilhada e fazer dar certo”.
As ações do Instituto vão desde a agregação tecnológica do antigo site (www.ric.sc.gov.br) para um novo portal (www.culturaemrede.org), até ao desenvolvimento de projetos setoriais como o banco de dados multimídia, cursos de capacitação à distancia e o Programa de televisão “Bem Cultural”, que leva a assinatura do Instituto.
Eugenio Lacerda, antropólogo e coordenador de Políticas Culturais do Instituto, defendeu a idéia da criação de uma rede estadual para cultura. “Eu não entraria neste trabalho se não estivesse vendo rostos do estado inteiro envolvidos. Queremos um trabalho de rede que confira ao estado o potencial cultural diversificado que ele possui”. Eugenio voltou a afirmar que a produção cultural catarinense é enorme, mas está “encalhada” e que precisamos de uma plataforma que a faça circular, dentro de uma visão de mercado.
Scheilla Marins, consultora educacional do município de Caçador, presente no encontro, reforçou a importância de uma “cultura menos oligárquica, que privilegie os cantos do estado e que ultrapassem os mares da ilha da magia”. A partir desta segunda-feira ela atuará como Presidente da Fundação Cultural de Caçador, que acaba de ser criada.
Sergio Sartori, produtor cultural de Lages, falou da dificuldade de ter que vir até Florianópolis para encaminhar projetos culturais, mas confessa que a auto-estima do interior esta sendo desenvolvida em projetos como esse.
Roni Guimarães, da ong Instituto da Organização do Lazer de Araranguá, afirmou que o projeto é promissor, pois o desafio é justamente descentralizar a cultura e fazer o intercambio em todo o estado.
Os participantes tiveram uma oficina de navegação do Portal Cultura em Rede ( www.culturaemrede.org) coordenada por Thiago Skárnio, coordenador de comunicação do Instituto, e Beto Abreu, da área de tecnologia da informação. A oficina teve como objetivo esclarecer a interface do site, como um veículo de fácil acesso, conteúdo dinâmico e interatividade.
Os cursos de capacitação à distância também foram bem recebidos e apresentados pelas pedagogas, Carol Freitas e Lair Rosa. Os sete cursos lançados (confira no site), são totalmente gratuitos.
André Martinez, webtutor do curso de Gestão Cultural, um dos carros-chefe do programa de formação, acredita que o curso será uma ponte para as questões de leis e a sustentabilidade econômica dos proponentes, entidades e seusprojetos culturais. “Você encontra na utopia a realidade”, afirma.
Lair confessa que esta primeira experiência esta sendo tomada como um projeto experimental, embrião para a criação, em futuro próximo, de cursos de graduação e pós-graduação.
O Programa “Bem Cultural”, que acaba de estrear na TVBV/BAND, também promete ser um elo de divulgação da cultura no estado. Segundo Beth Bieging, coordenadora geral de produção, a proposta é apresentar um programa conceitualmente novo para os padrões usuais em SC e a pauta pode partir, muitas vezes, dos próprios produtores culturais de cada município catarinense.
O seminário apresentou as ações do Instituto e preparou os coordenadores regionais para o inicio de um trabalho em rede. Para Pedro Alípio a etapa agora corresponde à ação de continuar contagiando as pessoas no esforço do desenvolvimento cultural catarinense. “Leva tempo para compreender, porque este não é um trabalho de indução, mas de motivação. Se isso acontecer, nós daremos uma contribuição efetiva para a circulação da rica produção cultural dos artistas catarinenses”.