Jogos musicais estão mexendo com como fazemos música?

A famosa “nuvem”, que permite aos usuários ter centenas de gigabytes de canções sem precisar ocupar espaço no seu HD, vem popularizando sites como Spotify, Rdio, e Grooveshark. Em comum, eles oferecem a possibilidade de escutar milhões de canções em streaming e apontam para um possivelmente bem-sucedido modelo de negócio musical, como explica a pesquisadora Paula Martini, do Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

– A tendência é a música se tornar um serviço em vez de um produto. O produto era apenas o suporte físico, e ele está decaindo – explica Paula, que lidera um dos projetos de pesquisa do CTS.

Embora seja lindo na teoria, ainda há entraves legais para toda essa mudança ser, de fato, concreta. Mas a tentativa de adequação destes sites às leis de direito autoral mostra um caminho possível para oferecer música gratuita sem prejudicar os artistas.

O Spotify, por exemplo, só funciona em sete países da Europa. Segundo Pedro Mizukami, especialista em direito autoral e também pesquisador do CTS, isso acontece porque as gravadoras negociam licenciamentos territoriais, ou seja, condicionados ao local onde está o usuário. Dá-se o mesmo com o Rdio, lançado há pouco mais de um mês nos EUA e disponível apenas por lá.

Já o Grooveshark, que tem usuários em todo o mundo, usa outro tipo de operação: não tem contrato com gravadoras e se ampara na DMCA, a Lei dos Direitos Autorais do Milênio Digital. Mizukami explica:

– A DMCA é uma lei americana específica para a internet. A lógica é a mesma do YouTube – o usuário sobe o conteúdo e, caso o detentor do direito autoral ache que há violação, pede para a música ser retirada.

E se a internet muda a forma de ouvir música, o que dizer da relação entre fãs e artistas? O cantor Leoni é um dos que mais tiram proveito da rede. A história começou em 2003, quando ele entrou numa comunidade do Orkut dedicada a seu trabalho e viu saltar de 50 para 50 mil o número de integrantes.

Atualmente, Leoni tem o mesmo número de usuários registrados em seu site oficial e já até promoveu concursos para que fãs musicassem letras suas. Além de conversarem com o cantor, eles dão pitaco no repertório dos shows e baixam as músicas novas que ele oferece gratuitamente na página.

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*Fonte: O Globo (Thaís Britto)

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