La La Land tem estrelas. Lu La Land, uma supernova.
La La Land tem mais cores, mais vida, tem primores, o que falta mesmo é o sabiá. Lu La Land tem sabiá a dar com o pau, porém me põe a cismar sozinho à noite.
La La Land tem palmeiras. Lu La Land tem o Palestra Itália, mas o sete a um, ao que consta, não foi lá.
As aves que gorjeiam em La La Land, sei lá que raio é aquilo, deve ser tudo efeito especial. As de Lu La Land soltam um pio funesto, lembra uma rajada de metralhadora…
Em La La Land, o amor é líquido. Em Lu La Land, o ódio é sólido.
A tragédia dos lalalandenses é estarem abaixo do que julgam merecer. A dos lulalandenses, façam por merecer e tenham foro, estão acima de qualquer julgamento.
O arrivismo em La La Land é a Lei. A Lei em Lu La Land é o arrivismo.
La La Land é para apaixonados. Lu La Land, só com muito diazepam.
Ainda um grito de vida e voltar para onde tudo é belo e fantástico: La La Land. Lu La Land: permita Deus, é para não voltar, do jeito que está.
Se tiver que morrer na flor dos anos, dá que eu veja uma vez o céu de Lu La Land; dá-me o gentil gira-gira lá da quadra infantil, mas só em pensamento.
Ai, quem me dera chupar uma manga com gosto de manga ou, pelo menos, dessas que não custem cinco euros a unidade.
Ver o retrocesso de São Paulo, a bolinha de sabão domingueira e a digestão bem-feita da Paulista, não, obrigado, mais prazer encontro eu cá.
Embora seja lá. Foi lá. E é ainda lá.
La La Land perdeu, mas ganhou, devolveu. Lu La Land ganhou, mas perdeu.
Entre o La e o Lu, existem três casas: Le, Li, Lo. Entre o Lu e o La, a distância é bem maior.
La La Land é ficção pura. Lu La Land, igualzinho.
Antonio Salvador é escritor e PhD-Candidate em Direitos Culturais pela Humboldt-Universität zu Berlin. Escreve a coluna “O Coice” às segundas-feiras.
Berlim, segunda-feira, 17 de julho de 2017