Considerado o mais referenciado na área de mídia e entretenimento pelos principais guias da advocacia global, como Chambers and Partners e Legal 500, o escritório Cesnik, Quintino e Salinas Advogados (CQS), que tem sede em São Paulo e escritórios no Rio de Janeiro e Brasília, acaba de abrir uma representação em Los Angeles (EUA).

Foto: Satish ViswanathA nova instalação está sediada no estado da Califórnia, cidade de Beverly Hills, no epicentro da atividade do entretenimento em Hollywood.

O objetivo com a unidade americana é estar ainda mais próximo das grandes operações do setor, auxiliando na inserção da produção brasileira na indústria do entretenimento global.

Em entrevista ao Cultura e Mercado, o sócio da CQS, Fábio de Sá Cesnik, e Natália de Campos Aranovich, responsável pela unidade norte-americana, falam sobre as leis do setor audiovisual, intervenção estatal na produção brasileira, possibilidades de cooperação e a importância de estar presente no acompanhamento de trabalhos criados nos Estados Unidos.

Cultura e Mercado – Qual a importância de ter um escritório da CQS em Los Angeles hoje?
Fábio Cesnik – A política de abertura de filiais da CQS obedece um conjunto de critérios: base de clientes estabelecida no local da filial, necessidade de profissionais que estabeleçam um dialogo mais próximo e especializado perto do cliente e posição estratégica no contexto das atividades do escritório. Esse conjunto de quesitos nos levou a, primeiro, nos estabelecermos no Rio de Janeiro (quase 10 anos atrás) e logo em seguida Brasília, a capital do país.

No caso de Los Angeles, o fluxo se iniciou com um conjunto crescente de clientes originários da Califórnia que passaram a demandar o escritório e isso foi reforçado pelo fluxo crescente de solicitações aos advogados para estar presente no acompanhamento de trabalhos gestados a partir de lá. Além disso, a Califórnia é hoje a capital da indústria tecnológica e de entretenimento do mundo, tendo na área de São Francisco a indústria de videogames e as principais empresas de inovação e, em Los Angeles, a indústria da cultura tradicional. Daí a oportunidade estratégica da abertura do 4º escritório da CQS justamente ali.

Há ainda uma última razão. O escritório tem sido pioneiro no apoio a trabalhos jurídicos do setor do entretenimento, num avanço simbiótico com o próprio desenvolvimento do mercado. A Califórnia, centro da indústria de conteúdo e das plataformas tecnológicas de difusão do entretenimento, é mais do que referencia estratégica para um apoio ao desenvolvimento de mercado no Brasil.

CeM – Qual será a atuação principal da filial norte-americana do escritório e como será formada a equipe?
FC – A principal atuação do escritório está voltada em atender clientes americanos em demandas relacionadas ao Brasil, auxiliando com isso na criação de uma ponte entre o Brasil e Califórnia na realização de coproduções e parcerias entre os dois países. Importante destacar que a atuação não se restringe à área do audiovisual, compreendendo todo o setor do entretenimento.

A equipe será inicialmente formada pela advogada Natalia de Campos Aranovich, que estará baseada em tempo integral no escritório de Los Angeles. Além disso, os advogados do escritório responsáveis pelo atendimento de clientes em Los Angeles devem estar ainda mais presentes nos EUA.

CeM – A legislação do setor audiovisual brasileira é muito diferente da norte-americana? É possível dizer qual está mais próxima do ideal – o que caracterizaria isso?
Natália de Campos Aranovich – Creio que não é possível se falar em ideal porque são sistemas jurídicos e culturais completamente diferentes. Nos Estados Unidos existe uma grande profissionalização da indústria audiovisual em que não há intervenção estatal. Já no Brasil o Estado atua como fomentador e também como regulador do mercado. Essa intervenção parece ser essencial para o desenvolvimento e profissionalização da indústria brasileira nesse momento. A nossa missão, como advogados, é achar o ideal jurídico e mecanismos que façam esses dois diferentes sistemas se comunicarem e assim geradas mais obras de coprodução e parcerias entre Brasil e Estados Unidos.

CeM – Quais são as questões mais espinhosas para quem trabalha com leis do audiovisual hoje?
FC – O maior desafio do produtor brasileiro hoje é entender o emaranhado de regras existentes no Brasil para fomento e produção audiovisual. Este arranjo fica ainda mais complexo quando se tenta ajustar o pensamento americano e brasileiro na produção de filmes e conteúdos para televisão e internet. O escritório hoje está preparado para dar a seu cliente essa visão global e agir de forma efetiva na concretização de negócios entre os dois países.

CeM – Existe um interesse do mercado de Hollywood em conhecer e trabalhar com produtores brasileiros? A que podemos atribuir isso?
NCA – O Brasil é hoje visto na indústria do entretenimento global como ponto estratégico por possuir talento para produção de demandas e forte mercado consumidor de 200 milhões de pessoas. De outro lado, parte da indústria brasileira está atenta à ampliação de formação técnica qualificada, enquanto a indústria americana tem hoje um excedente técnico, de talentos e de conteúdos. Essa oferta e procura gera, em beneficio dos dois lados, possibilidade de uma verdadeira sinergia.

Com a alta do dólar, o custo de produção no Brasil ficou mais competitivo e barato. Desta forma, a produtora americana pode, pra além das coproduções, trabalhar também no modelo de “production service”, contratando uma produtora brasileira para ser a produtora local dos seus trabalhos.

CeM – Qual o caminho para um profissional do setor audiovisual brasileiro que queira começar uma relação com o mercado norte-americano? E de que maneira isso pode ser benéfico para o desenvolvimento do audiovisual nacional?
FC – Em primeiro lugar é importante que o produtor brasileiro entenda o modelo de funcionamento da indústria audiovisual americana, que tem ditado as regras globais no mercado. Entendido o setor, importante o estudo dos formatos pelos quais os sistemas podem ser trabalhados conjuntamente. O escritório reúne time qualificado para ajudar o produtor brasileiro a entender o funcionamento e possibilidades de trabalho.


Jornalista, foi diretora de conteúdo e editora do Cultura e Mercado de 2011 a 2016.

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