Mais (polêmica) sobre as orquestras brasileiras

As orquestras brasileiras parecem estar passando por um momento delicado. Nas últimas semanas temos visto notícias sobre polêmicas, como o anúncio da avaliação da Orquestra Sinfônica Brasileira e o pedido de demissão do diretor artístico da Orquestra Sinfônica Municipal (OSM) de São Paulo, Alex Klein – também regente titular da Orquestra -, alegando não ter sido consultado sobre alterações na programação da sala.

Agora, a OSM passa por nova saia justa: durante um concerto no Sesc Pinheiros, na última quinta-feira (3/3), o maestro Marcelo Ghelfi, regente convidado, pediu a palavra para declarar que os músicos estão sob censura.

“Dentro do Teatro Municipal existe uma ditadura”, declarou Ghelfi durante discurso de quase oito minutos. Ele disse que os músicos da orquestra estão proibidos de falar com a imprensa. “Eles estão com contratos renovados a cada três meses e são ameaçados: se abrir a boca, não renova o contrato”.

Os músicos não foram consultados sobre o discurso e Ghelfi disse à reportagem da Folha de S. Paulo que não o fez “justamente para que não sofressem retaliações”. A Secretaria Municipal de Cultura afirmou, em nota, não haver “orientação da direção do Teatro Municipal de São Paulo para que os artistas do Municipal não discutam assuntos com a imprensa”.

Ghelfi encaminhou um dossiê de oito páginas ao prefeito Gilberto Kassab (DEM) com acusações contra a administração do Municipal, dirigido por Beatriz Franco do Amaral.

A diretora atribuiu o protesto de Ghelfi a problemas burocráticos quanto a pagamentos. “Ele enviou um e-mail, com cópia para mim, cobrando R$ 35 mil pelos arranjos musicais para orquestra. Mas isso requer um processo burocrático, que nunca foi feito. Não houve solicitação formal.”

Ela reitera que não há censura. “Pelo contrário. Pela primeira vez, a escolha do regente-titular passou pelo crivo dos músicos. O Alex Klein foi sugestão deles.”

Em dezembro, a prefeitura encaminhou projeto de lei à Câmara para regularizar a situação salarial dos músicos do Municipal (hoje, 70% são terceirizados). O instrumentista Antônio Carlos de Mello Pereira, da comissão dos músicos, disse que eles “não são coitadinhos”. “É um momento de alguma positividade na história da orquestra.”

*Com informações da Folha de S. Paulo

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