Lan houses representam 50% do total de acessos à internet, é a chamada da matéria do Globo Online. Dos 15 milhões de computadores que devem ser vendidos este ano no Brasil, só 400 mil são destinados às lan houses. Apesar disso, elas representam 50% do total do acesso à internet no país. Ainda há muito o que pensar sobre esses números.
O número aparentemente alto de computadores – que deve chegar a cem milhões no final de 2010, deixando o Brasil atrás apenas dos EUA e da China – mostra que a inclusão digital ainda é um dos maiores desafios do setor.
Dados do Comitê para Democratização da Informática (CDI) estimam que existem 108 mil estabelecimentos pelo país. No Norte e Nordeste, as lan houses representam 70% do acesso à internet. Mesmo assim, capacitação e infraestrutura na área ainda são desafios, já que, na maioria dos casos, ficam restritos às classes A e B.
“Nas classes C, D e E, 75% da internet é acessada em lan houses. Em termos de capilaridade e de custo, os gastos são menores do que com a manutenção de um computador e o acesso à banda larga, por exemplo. A maioria dos usuários tem até 35 anos, ou seja, são a próxima e a atual geração formadora de opinião”, afirma Marcel Fukayama, coordenador geral do projeto CDI Lan.
De acordo com Fukayama, em 2009, a lan house se consolidou como principal canal de acesso à internet no Brasil. Mesmo com uma pequena queda este ano, em função do aumento do número de computadores pessoais – o acesso nas lan houses cresceu mais de 25%. De olho na questão, em julho, o CDI lançou o Inclusão Digital Sustentável, que visa à capacitação dos donos de estabelecimentos, geralmente empreendedores comunitários. Ao todo, 2 mil estabelecimentos já foram afiliados ao programa.
“São cursos de gestão para donos de lan house, com conteúdo e serviços para ajudar a sustentabilidade do negócio. Queremos aproveitar que a maioria das lan houses é tocada por empreendedores comunitários. Queremos ajudá-los a otimizar e potencializar esses espaços”, explica Marcel Fukayama.
Mesmo que eles façam parte do mercado informal, Fukayama acredita que os donos dos estabelecimentos têm plena condição de realizar a inclusão sustentável:
“Eles costumam concentrar demais a receita na locação da máquina por hora. Queremos que as lans se tornem centros de conveniência digital, consolidando-se como principal ponto de inclusão digital.”
Segundo dados deste ano do IBOPE Nielsen Online, 64,8 milhões de pessoas têm acesso à internet, considerando todos os locais de acesso, como trabalho, residências, lan houses e escolas. Considerando apenas residências e trabalho, 46,6 milhões de brasileiros estão conectados – ou seja, mais de 46 milhões de brasileiros moram ou trabalham em um local em que há disponível computador com internet.
Apesar de um início de ano turbulento, estimativas indicam que foram vendidos de 13 a 15 milhões de computadores em 2009, em números ainda não oficiais. Isso eleva o número total de PCs a 75 milhões. O laptop é destaque em termos de venda, alcançando 30 a 40% do total. Para Marcel Fukayama, coordenador geral do projeto CDI Lan, mesmo com a crise econômica, o mercado surpreendeu.
“Era um começo de ano de crise e o Brasil conseguiu manter um crescimento bastante satisfatório no cenário mundial”, afirma.
O aumento das vendas, no entanto, não é sinônimo de igualdade. Apenas 3% dos domicílios do país têm laptop, concentrados nas classes A e B. Em 2011, 18 milhões de brasileiros utilizarão a internet 3G.
– O número de brasileiros que têm acesso à tecnologia ou que tem capacitação ainda é muito pequeno – resume Fukayama.
CDI Comunidade Francisco é a maior unidade da rede
Com 55 computadores doados pela Dell, a Fundição Progresso inaugurou em novembro o CDI Comunidade Francisco, o número 800 e maior da rede. O espaço é uma parceria entre CDI (Comitê para Democratização da Informática), Grupo Sá Cavalcante, Fundição Progresso e AkzoNobel.
O objetivo principal da unidade é se tornar um centro de referência em inclusão digital autossustentável, criando oportunidades de geração de trabalho e renda e promovendo ações empreendedoras e projetos sociais com base no uso ético, criativo e responsável da tecnologia. Além de cursos básicos e avançados de informática, o CDI vai oferecer serviços para a população do entorno, com um bureau gráfico e lan house.
“Estamos muito felizes em realizar este projeto que une tantos parceiros. Juntos, criaremos um novo conceito de inclusão digital sustentável, impactando duas das regiões mais importantes do Rio, a Lapa e o Centro, levando desenvolvimento social e econômico, por meio de tecnologia, cultura, arte, empreendedorismo e espiritualidade”, diz Rodrigo Baggio, fundador e diretor-executivo do CDI.
O lançamento do CDI marcou ainda a revitalização do histórico prédio da Fundição Progresso, em novos tons de azul e verde. O projeto de pintura da nova fachada, por conta da AkzoNobel, foi exclusivamente criado pelo designer João Bird.
Fonte: O Globo Online