?O ideal seria a criação de fundos dos quais participasse a iniciativa privada?, explica o secretário de Música e Artes Cênicas. O ator defende também uma consulta à sociedade05/02/2003
O secretário de Música e Artes Cênicas, Sérgio Mamberti, formulou algumas propostas de mudança para que a sua secretaria consiga operar mesmo com o baixo orçamento. ?Vamos ter de fazer milagres com os recursos previstos para este ano?, diz o ator ao jornal Hoje em Dia. Mamberti propõe também alterações nas leis federais de incentivo à cultura.
Fundos
A revisão nas leis de incentivo inclui a criação de mecanismos que ajudem a incluir no mercado cultural aqueles projetos que, apesar de serem de qualidade, têm maiores dificuldades para conseguir patrocínio. Mamberti explicou, segundo o jornalista Ubiratan Brasil, do Hoje em Dia, que ?o ideal seria uma criação de fundos dos quais participasse a iniciativa privada?. Essa solução já vem sendo debatida no âmbito do Município de São Paulo. O vereador Nabil Bonduki (PT) tem um projeto de lei que direciona uma porcentagem dos recursos da Lei Mendonça a um fundo de cultura.
Outra forma de conseguir recursos para as políticas do MinC será estreitando parcerias com a iniciativa privada. Desde o final do ano passado, segundo o jornal, Mamberti já vinha conversando com empresários sobre a participação na área cultural.
Cortes
Apertar o cinto será uma das formas de melhor aproveitar o orçamento, segundo Mamberti. ?Fiquei surpreso com a quantidade de solicitação de deputados e prefeitos, que esperam uma colaboração do ministério em manifestações que acabam não interessando ao povo?, disse o secretário ao jornal. Para que o Ministério não fique desligado da sociedade, Mamberti defende abrir espaço para a participação popular na elaboração das políticas. ?É preciso fazer uma consulta nacional para avaliar as demandas de cada setor?, propõe o ator. Além de se aproximar da iniciativa privada, o secretário quer fazer parceria com ?iniciativas que funcionam bem?. Como exemplo, Mamberti cita o trabalho do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na área cultural.
Teatro
Quanto ao teatro, área em que comemora 40 anos de carreira, Mamberti propõe a descentralização da produção como forma de baixar os custos, informa o jornal Hoje em Dia. Isso deverá estar acompanhado de uma política que favoreça o acesso popular. ?O modelo econômico da produção teatral de hoje é muito alto, o que faz com que a bilheteria de uma peça não seja mais receita, mas um ganho eventual?, diz o ator ao jornal.
?Mas não podemos jogar os custos nas costas dos produtores, pois isso apenas aumenta as dificuldades?, continua. De acordo com o jornal, o ator quer fazer uma pesquisa no setor que permita identificar melhor as possibilidades de diminuição dos custos, por exemplo com viagens, permitindo que diversos espetáculos sejam apresentados em vários municípios.
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