Manifesto por Augusto Boal

Admiradores do teatrólogo Augusto Boal tentam angariar assinaturas em manifesto pela aceleração de seu processo de Anistia

O teatrólogo Augusto Boal aguarda há nove anos a conclusão de seu processo de Anistia. Diante disso, alguns admiradores de seu trabalho indignados com a lentidão do processo, criaram um manifesto que vem buscando angariar mais assinaturas em nome da causa. No Brasil, ainda são poucos os que sabem da situação do teatrólogo, que agora, ainda se encontra hospitalizado. Menos ainda, são os que sabem da iniciativa dos que tentam resolver legalmente a questão.

A obra de Augusto Boal
Cursou dramaturgia e teatro com John Gassner, em Nova York e retornou ao Brasil, onde começou a dirigir o Teatro Arena de São Paulo, adaptando o método de Stanislavski dentro das possibilidades brasileiras, definindo uma interpretação mais naturalista e a estruturação dramatúrgica do cast. Já no fim da década de 50, seu trabalho buscava uma orientação mais social e política através do teatro. Em 1960, o Arena definiu uma fase mais nacionalista, com repertório focado na realidade nacional passando por heróis históricos, onde Boal se expressava contra a opressão, a ausência de liberdade, manipulação e poder. A partir de 1962 surge a fase de nacionalização dos clássicos e já na década de 70, após realizar uma excursão pela América Latina e Europa, criou o Teatro Jornal, uma publicação de leitura de textos e comentários, inspirado no agit-pop e no Living Newspaper, que mais tarde viria a ser o Teatro Núcleo Independente.

Em 1971, Boal foi preso e exilado, dando continuidade em seu trabalho no exterior, passando pelo Peru, Argentina, Venezuela, Colômbia, México e no Equador, onde trabalhou com populações indígenas e elaborando o Teatro Imagem. Em 76 vai para Portugal, onde trabalha com o grupo A Barraca e muda-se para Paris, onde cria o CEDITADE, um centro de pesquisa para difundir e desenvolver as idéias do Teatro do Oprimido, que seria apresentado três anos depois, com turnês em vários países, inclusive o Brasil.

O Teatro do Oprimido busca a desmecanização física e intelectual de seus participantes e a democratização do teatro, criando possibilidades para que o oprimido se aproprie de ferramentas para produzir teatro, alargar seu universo da expressão e “preparar ações que o conduzam à própria libertação”, segundo o próprio Augusto Boal. . Suas técnicas se assentam sobre um tripé: teatro-imagem, teatro invisível e teatro-foro.

Em 1984 com a Anistia, o teatrólogo volta definitivamente para o Rio de Janeiro. Continua percorrendo o mundo exercendo atividades ligadas ao Teatro do Oprimido. Durante mais de uma década dirigiu inúmeros espetáculos, inclusive de sua própria autoria, numa seqüência de projetos importantes e inovadores. Entre os quais, cabe aqui destacar sua atuação como vereador do Rio de Janeiro (1993 – 1996), cuja experiência Boal relata em um de seus livros, “Teatro Legislativo”, uma referência utilizada até hoje como ferramenta para se discutir projetos de leis. No Centro do Teatro do Oprimido – CTO, realizou uma dinâmica de teatro em presídios de todo o Brasil, desde 1986, e outros projetos experimentais em teatro e cidadania aplicada. Sua obra em dramaturgia é reconhecida e premiada internacionalmente. Entre os principais títulos estão o Officier de I’Ordre dês Art set dês Lettres, do Ministério da Cultura e da Comunicação da França (1981) e a Medalha Pablo Picasso, da Unesco (1994).

Envie para:
anistia@mj.gov.br
Cópias em CCO para:
enimoreira@aol.com
augustoboal@terra.com.br

MANIFESTO AO PRESIDENTE DA COMISSÃO DE ANISTIA – MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

Referência Processo n° 2002.02.12897

Exmo. Dr. Marcelo Lavenere,

 Os abaixo assinados, cientes do enorme volume de trabalho que tem V. Exa. Na condução dos processos relativos aos beneficiários da Lei de Anistia, manifestam a sua total incompreensão pelo fato de que o pedido feito em 1997, por AUGUSTO PINTO BOAL – nosso renomado e consagrado teatrólogo, uma das figuras mais importantes do teatro internacional – não ter sido apreciado até a presente data.

 Augusto Boal encontra-se impossibilitado de continuar exercendo suas unções em sua plenitude, em virtude das enfermidades que o vitimam. (cf. atestados médicos no processo n° 2002.01.12897)

 Requeremos a V. Exa. Se digne ordenar prioridade no julgamento do pedido de Augusto Boal, por medida de lídima justiça, e em atenção aos nove anos em que esperamos uma solução favorável a este legítimo pedido, à idade e ao precário estado de saúde do requerente.

Atenciosamente,

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