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Mercado cultural em ebulição

Com 280 participantes, seminário em Florianópolis evidencia crescimento do setor. Formação de um grupo de discussão e de um movimento pela lei de incentivo marcaram o eventoPor Kátia Klock

Com o objetivo de iniciar a integração dos profissionais da área cultural e traçar caminhos para o mercado catarinense, foi realizado em Florianópolis o primeiro seminário Diálogo+Cultura, nos dias 4 e 5 de setembro de 2002 no Centro Integrado de Cultura (CIC). Mais de 280 pessoas que compõem o mercado cultural de Santa Catarina participaram do evento, realizado pela Fundação Catarinense de Cultura com iniciativa e formatação da Contraponto Produções.

Necessidades do mercado
No seminário, representantes de entidades culturais de 12 cidades da região puderam discutiram assuntos como elaboração de projetos, captação de recursos, leis de incentivo, patrocínio, benefícios fiscais, responsabilidade social e direitos autorais. O público era composto de artistas, agentes culturais, investidores, advogados, auditores e executivos de marketing.

A programação do seminário foi pensada de acordo com as características e necessidades do mercado cultural de Santa Catarina. Os painéis de debate sobre Políticas Culturais e Produção Catarinense tiveram a presença de produtores de diferentes áreas artísticas, empresários e representantes de secretarias de cultura de outras cidades. Os mediadores, Paulo Markun, jornalista, e Celso Nunes, diretor de teatro, valorizaram o nível das discussões.

Movimento pela Lei de Incentivo
As palestras foram realizadas por Leonardo Brant, consultor de planejamento cultural, autor do livro Mercado Cultural e presidente do Instituto Pensarte, e Fábio Cesnik, advogado especialista em incentivo fiscal à cultura, autor de Guia do Incentivo à Cultura e Projetos Culturais. Durante o D+Cultura Leonardo Brant fez o lançamento de sua nova publicação: Políticas Culturais.

Durante o seminário, os produtores culturais iniciaram um movimento contra a proposta da Assembléia Legislativa de dividir os recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura com o Desporto. Através de uma carta aberta, os produtores lançaram um abaixo-assinado onde conseguiram mais de 200 assinaturas. Este material deve ser agora entregue às autoridades responsáveis.
Grupo de discussão
O questionário proposto aos participantes durante o seminário está servindo de termômetro para conhecer as carências do setor. Este mapeamento continua sendo feito através do canal de discussão do D+Cultura criado agora na internet. Queremos saber se estas pessoas já inscreveram projetos em leis de incentivo (já que é um dos únicos meios hoje para viabilizar produções) e se conseguiram captar recursos.

No grupo de discussão, criou-se, ainda, um espaço para que os participantes pudessem formular sugestões para o setor cultural. Entre as propostas mais recorrentes, destacam-se: a criação de uma campanha estadual para informar o empresariado catarinense sobre o significado do incentivo fiscal à cultura; implementação de um banco de dados de projetos e investidores em santa Catarina; aumento dos incentivos para todas as áreas artísticas.

O que se pôde constatar desde o início das inscrições, quando os interessados começaram a telefonar para saber mais sobre o seminário, é que a produção cultural do estado está berrando por informação e intercâmbio de idéias. Buscar e ampliar os canais de incentivo, por meios públicos e privados, organizar e integrar o mercado são conceitos e desejos expressos através de um mapeamento (questionário) que se iniciou durante o D+Cultura.

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