Mercado de arte contemporânea conquista novos públicos

Na última semana publicamos aqui no Cultura e Mercado uma notícia sobre a expansão do mercado de galerias de arte e a “disputa” por artistas, publicado pelo jornal Folha de S. Paulo. Nesta quarta-feira (9/3), o jornal O Globo traz reportagem que mostra que, além disso, o consumo das obras de arte também tem crescido em quantidade e tipo de público.

Muita gente tem percebido que “as obras de arte são como ações, só que mais divertidas, porque posso pendurá-las na parede”, como definiu o publicitário Luiz Eduardo Marcondes Ferraz.

O mercado de arte contemporânea tem sido injetado por novas galerias, feiras e novos artistas a cada ano. Se a razão é produção maior, mudança de concepção do que pode ser tratado – e, consequentemente, vendido e comprado – como arte, se há mais variedade de obras, suportes e preços, se é tudo isso junto… não se sabe. O fato é que colecionar está se tornando uma atividade mais, digamos, comum.

Novos colecionadores vêm modificando a cara do mercado no Brasil, apostando em nomes sem garantia de valorização futura – mas nem por isso deixando de lado a pesquisa sobre os artistas. Eles são bem informados, mas, sobretudo, gostam de conviver com obras de arte.

Além disso, hoje, praticamente todas as feiras de arte têm um espaço para galerias jovens, que costumam levar obras mais baratas, como múltiplos e fotos de grandes tiragens. No mês passado, a Arco, em Madri, lançou a seção Opening, com 20 galerias europeias de até cinco anos de existência. De forma geral, num reflexo da crise econômica na Europa, mesmo galerias sólidas apresentaram obras mais acessíveis – não só nos preços, mas também na estética, com a escassez de peças monumentais.

No Brasil, o crescimento econômico é um dos responsáveis pelo maior acesso de gente comum a obras de arte. Durante  a ArtRio, primeira feira de arte contemporânea que será realizada em setembro no Rio de Janeiro, deve haver debates voltados para a formação e a manutenção de coleções. A feira também terá um espaço para galerias iniciantes, muitas internacionais.

As próprias galerias se tornaram um dos principais caminhos de pesquisa para os novos colecionadores, que, mesmo motivados por prazer, costumam pesquisar antes de suas aquisições. “Uma boa galeria não é mais apenas um escritório de arte. Há uma preocupação com a formação do novo colecionador, porque negociar arte não é uma simples venda de um objeto. Por isso, os colecionadores tendem a estar junto às galerias”, afirma Márcio Botner, artista e sócio da Gentil Carioca.

Jaime Portas Vilaseca, que abriu a galeria que leva seu nome em 2009, conta que frequentemente recebe jovens que querem decorar a casa, tomam gosto e voltam, começando pequenas coleções. Mas, com uma galeria voltada para novíssimos artistas, nem o próprio galerista pode assegurar que as obras que representa são um investimento que dará lucros a seus compradores. “No mercado de artistas mais jovens, é muito difícil eu falar para o cliente o que vai valorizar”, reconhece Jaime.

Por outro lado, com a multiplicação de prêmios e intercâmbios internacionais, alta visibilidade na mídia e mais galerias para representá-los, muitos jovens artistas têm trajetórias meteóricas, sendo rapidamente valorizados pelo mercado.

*Com informações do jornal O Globo

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