Mercado de arte contemporânea cresce - Cultura e Mercado

Mercado de arte contemporânea cresce

Foi apresentada nesta quinta-feira (25/7), em São Paulo, a 2ª edição da pesquisa setorial do Projeto Latitude – Platform for Brazilian Art Galleries Abroad, parceria entre a Associação Brasileira de Arte Contemporânea (ABACT) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para a promoção do setor brasileiro de galerias de arte contemporânea.

Foto: Oh-Barcelona.com

Participaram do estudo 44 galerias do mercado primário de arte contemporânea. E, embora seja um recorte parcial desse setor, elas indicam uma tendência de crescimento já observada na 1ª edição da pesquisa (quando foi registrado aumento de 44% no biênio 2010-2011): houve um aumento médio de 22,5% do volume de negócios em 2012.

81% das galerias pesquisadas afirmaram ter aumentado suas vendas e 70% disseram ter ampliado sua equipe de trabalho em 2012.

De acordo com a gerente do projeto Latitude, Mônica Novaes Esmanhotto, são vários os fatores que influenciam neste crescimento, passando pelo aumento do interesse internacional e o consequente crescimento do público interno. “Hoje temos um público de arte contemporânea que não tínhamos há 10 anos. Houve uma aproximação e crescimento desse público, então a base de possíveis compradores e colecionadores e ficou mais variada e maior. Ao mesmo tempo a gente vem observando que muitas das galerias que surgiram na última década perceberam que podiam atuar em diferentes nichos. Com uma base de colecionadores maiores e um público mais interessado você movimenta mais esse negócio”, afirma.

O volume de exportações, segundo a pesquisa, passou de US$ 18 milhões em 2011 a US$ 27 milhões. Foram 6.700 obras vendidas, com um reajuste de preços da ordem de 15%. Ainda assim, são os colecionadores privados e os negócios no Brasil que mais fomentam o setor: 85% dos negócios realizados em 2012.

Os colecionadores privados brasileiros representam 71%  do volume das vendas, seguidos pelos colecionadores privados estrangeiros (11,5%). Coleções corporativas brasileiras são responsáveis por 5,9% das vendas, seguidas pelas instituições brasileiras (4,5%) e as instituições internacionais (2,5%).  As coleções corporativas estrangeiras são responsáveis pro 1,5% das vendas.

Segundo as galerias, 50% dos artistas representados por elas estão em mais de 130 coleções institucionais internacionais, em todos os continentes, dado que aponta para um processo de visibilidade e legitimação da arte brasileira.

Em um universo de cerca de mil artistas, as galerias representam em média 22,5 – embora esse número varie bastante, entre 7 e 40 nomes, dependendo do porte e complexidade da estrutura. Desses, 10,8% entraram no mercado pela primeira vez em 2012. Na 1ª edição da pesquisa, 23% dos artistas debutaram em galerias, o que mostra, segundo a ABACT, uma consolidação do mercado e uma consciência de que, depois de recrutá-los, as galerias tendem a investir a médio e longo prazo em sua valorização e comercialização.

A média de exposições individuais é de 7,2 por ano, com uma variação de 1 a 22, dependendo da galeria. As coletivas têm média de 1,8/ano. Esses números não apresentaram variação à média anterior ou à percebida pelas galerias francesas, por exemplo. O que difere da realidade europeia, contudo, ainda é a visitação.

Visitação – A média de visitas semanais por galeria é de 55 pessoas. Para se ter uma ideia, as francesas recebem entre 50 a 100 visitantes diários. A mudança dessa realidade vem sendo construída pelas galerias por meio de debates com curadores, críticos e artistas, visitas guiadas com curadores e artistas e lançamentos de livros.

Cada galeria possui em média 400 clientes, com variação desde 20 até 3 mil pessoas visitando e realizando ao menos uma compra. As galerias mais estabelecidas e que movimentam um maior volume de negócios têm um portfólio de clientes mais extenso.

De todas as vendas, 58% são realizadas nas sedes das galerias, 29% em feiras nacionais e 9% em feiras internacionais.

As feiras são um momento privilegiado para as vendas e para o trabalho de promoção e relacionamento com colecionadores, críticos, curadores e instituições, assim como com outros galeristas e colaboradores. As galerias pesquisadas participaram de 3,7 feiras em média em 2012 – número que pode chegar a até 13 para algumas delas.

A SP-Arte é considerada por 59% das galerias a feira mais importante do ponto de vista do volume de negócios, seguida pela ArtRio, a mais importante para 13,5% das galerias e pela Art Basel Miami, a número um para 11,5% das galerias pesquisadas.

Mais da metade das galerias pesquisadas (54%) têm parcerias com outras galerias no Brasil e no exterior e 84% delas afirmaram apoiar a participação dos seus artistas em eventos internacionais, com o intuito de fomentar a visibilidade dos artistas em outros territórios.

Neste sentido, o convênio entre a ABACT e a Apex-Brasil garantirá, para o biênio 2013/2014, investimentos de R$ 4,75 milhões.

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