MinC em Bruxelas acelera preparativos para evento dedicado ao Brasil

A missão do Ministério da Cultura a Bruxelas, entre os dias 20 e 22 de junho, que incluiu a ministra Ana de Hollanda, gerou o peso institucional necessário para fazer avançar os preparativos do festival Europalia.Brasil, edição 2011, que tem o Brasil como convidado. O festival, maior vitrine de cultura no continente, será aberto em 4 de outubro nesta que é a capital da União Européia e, conforme diplomatas, concentra mais representações e órgãos estratégicos do que Washington.

Reuniões diárias com o time Europalia, visitas da ministra a cada um dos mais importantes espaços que abrigarão os eventos e o apoio do Embaixador do Brasil para o Reino da Bélgica, André Amado, contribuiram para se desenhar melhor a programação do evento, obviamente complexa. São cerca de 130 shows; 90 palestras e conferências; 60 apresentações de dança; 40 de teatro; 17 exposições – tudo isso em cinco países. Nomes que vão de Tom Zé a Paulo Mendes da Rocha e Zé Celso, passando por apresentações ao vivo de índios Mehinaku e Kaiapó esquentaram manchetes dos mídias europeus.

Avançou-se na direção da assinatura de um memorando de entendimento Brasil-União Européia que abrirá mais o continente à cultura brasileira. E se nota um nítido reposicionamento da imagem do Brasil, conforme testemunhos de europeus.

Este reposicionamento se dá a partir do seu maior ativo, a cultura: um dos principais jornais belgas, o Le Libre, sintetizou esta nova percepção em matéria de duas páginas afirmando que o Europalia.Brasil é a ocasião para o “gigante econômico” emergir também como “gigante cultural”.

O conde Jacobs, chairman da fundação que promove o festival, já havia sinalizado o porte desta guinada na recepção que se seguiu à coletiva, no Palácio de Egmont, em Bruxelas. “O evento será ocasião para nós, europeus, conhecermos o Brasil para além da economia, para além dos estereótipos” [confira vídeo]. No almoço petit comité oferecido pouco depois pelo ministro das Relações Exteriores do Reino da Bélgica, Steven Vanackere, no Salon du Ministre [aberto em raríssimas ocasiões no ano], a ministra apontou uma inversão de sentido. “O Brasil consumiu a Europa por muito tempo, e este processo culminou com a antropofagia modernista; agora, é a vez dos europeus nos consumirem [confira vídeo].”

Economia criativa – Na visão do diretor executivo do Comissariado Brasileiro e diretor de Relações Internacionais do MinC, Marcelo Dantas, a importância do evento possibilita ao governo brasileiro atrair o patrocínio de grandes empresas. “Esta parceria com as empresas públicas e privadas é fundamental, inclusive para a projeção privilegiada da imagem delas no exterior.”

A missão incluiu ainda o Comissário pelo Brasil e secretário de Políticas Culturais do MinC Sérgio Mamberti; o curador-geral, Adriano de Aquino; e os curadores Benjamin Taubkin [música], João Carlos Couto [teatro, dança e circo] e Flora Sussekind [literatura e conferências].

A ministra Ana de Hollanda aponta ainda o interesse pela Economia Criativa que sentiu nos europeus com quem conversou —o time da Europalia, liderado por Kristine De Mulder, com quem teve reuniões diárias; representantes do Reino da Bélgica; e personalidades das comunidades francófona e flamenga que compõem o país, diretores de instituições etc.

Afinal, o Europalia.Brasil, além de ser um painel político e social da Cultura brasileira, é visto também como chance de os artistas se inserirem no circuito europeu a partir de uma abertura institucionalizada por um memorando de entendimento, a ser assinado em uma mesa-redonda Brasil-União Européia composta de artistas e autoridades da cultura.

A 23a edição do festival deverá ter 17 exposições em 15 museus e espaços; cerca de 130 shows, com 45 grupos musicais ou artistas; 40 apresentações teatrais de ao menos nove grupos brasileiros; cerca de 60 apresentações de 11 grupos de dança; 90 palestras e conferências sobre literatura, artes, ciências sociais, arquitetura, design e audiovisual; além de itinerâncias dos grupos convidados pela Europa.

Está prevista, na abertura em 4 de outubro, a presença da presidenta Dilma Rousseff, do rei Alberto II da Bélgica, e do presidente da Comissão Européia, Durão Barroso. Paralelamente, deverá ocorrer a Cúpula Brasil-União Européia.

O Europalia se estenderá por cinco países – Luxemburgo, Alemanha, França e Holanda, além da própria Bélgica. Nesta, além da capital, outras cidades, como Antuérpia abrigarão eventos.

*Com informações do site do MinC

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