Utilizo o novo curso que preparei para o Cemec como gancho para falar da relação imbricada entre cultura e mercado. E como o surgimento de uma nova expressão – economia criativa – pode embolar ainda mais esse meio de campo. Por outro lado, pode ajudar a separar de vez o alho do bugalho.

No miolo do conceito da economia criativa tem um ingrediente polêmico, que complica e acirra ainda mais os ânimos e resistências ideológicas do setor cultural: a propriedade intelectual. Mas esse ingrediente é fundamental para definir modelo de atuação de um processo criativo, a ponto de podermos defini-lo ou não como um negócio – no sentido de torná-lo economicamente viável.

Há um outro ingrediente importante a ser explorado pelo curso, que é o próprio empreendedorismo. E com ele um novo modelo mental, que ajude a compreender a realidade cultural do país não só como uma responsabilidade, mas também como oportunidade de negócios.

Um mercado mais estruturado e presente na vida dos novos agentes e consumidores de cultura significa um ambiente mais autônomo e diverso, propício ao desenvolvimento do país. Mas sempre deixo a ressalva de que o mercado não consegue – isso nem é a sua função – garantir a todos o acesso à cultura e a garantia dos direitos culturais mais amplos e profundos. O Estado mais do que nunca precisa cumprir o seu papel.

Depois de ter comandado muitos empreendimentos, públicos e privados, e ter orientado o desenvolvimento de tantos outros, estou convencido que o maior desafio do empreendedor está primordialmente ligado à sustentabilidade do negócio, prima-irmã do lucro. Sem ele a própria missão do negócio fica comprometida, assim como outros elementos que conferem relevância social ao empreendimento: geração de empregos e oportunidades de trabalho, fomento da cadeia econômica, fortalecimento do setor, recolhimento de impostos. O que vier além disso, tanto melhor, pois o país merece o compromisso de seus empresários.

Depois de suprir essa barreira ideológica e existencial, partimos para o momento seguinte, que é compreender a morfologia do negócio: do que ele é feito, quais são suas características intrínsecas e extrínsecas – melhor dizer: de mercado. E a partir daí moldá-lo para enfrentar os desafios do mundo dos negócios: estratégia, operação, processos, pessoas, finanças, marketing, vendas…

A ideia do curso é tornar esse desafio criativo, apresentando formatos e modelos inovadores de condução do negócio, minimizando riscos e ampliando o repertório ferramental de empreendedores e profissionais da área, de maneira dialógica e prática.

Clique aqui para ver o programa.


Pesquisador cultural e empreendedor criativo. Criador do Cultura e Mercado e fundador do Cemec, é presidente do Instituto Pensarte. Autor dos livros O Poder da Cultura (Peirópolis, 2009) e Mercado Cultural (Escrituras, 2001), entre outros: www.brant.com.br

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