Caber a todos nós fazer o diálogo é, sem dúvida, uma observação bastante prudente, assim como, é também de extrema relevância observar que a singularidade deste processo, no caso do Brasil, necessita do auxílio significativo de um estudo científico, pois as bases institucionais brasileiras sempre se relacionaram de forma pontual e patrimonial sobre a cultura brasileira.
É bom que se estabeleça, que se inaugure um novo diálogo, e que o mesmo irrigue as vias de acesso da produção artistica ao coração do país, fundamentando assim, a natureza dos sentimentos e organização de todo um contexto social que hoje se faz de fato urgente. Nessa comunhão, entre pesquisadores e artistas, o povo é o grande potencializador e, como tal, deve ser também observado numa nova atmosfera, fomentando a produção de um ciclo permanente de virtuosidade através do estímulo ao pensamento critico, o que, naturalmente levará à construção, ou melhor, à reconstrução de uma teia que possibilitará a interatividade entre o estudo e a prática, entre a ação e a emoção.
A captação de toda essa energia cultural que paira no ar é gerida pela massa capitaneada de recursos das suas próprias expressões. Portanto, não podemos mais, construir armadilhas que produzam o cerceamento da continuidade de ações institucionais.
As políticas de ações permanentes de cultura dependem, além de um estudo profundo, como já disse, também da vontade política e da própria ciência que é capaz de indicar pistas de uma perspectiva real a gestores, produtores, artistas, para que estes construam pedal e não asfixiem ou isolem as relações entre a produção e a sociedade
O Brasil, tem em sua formação, o sentido de comunhão, de aldeia, de festa, de agregação. Todas as vezes que a sociedade é convocada para abrigar em seus espaços manifestações artísticas, o resultado é sempre positivo. Portanto, torna-se necessário que se veja com muita prudência um pensamento que contemple o sentimento de coletividade e que corresponda à própria sociedade, pois é nela que temos que confiar. A crença de que só a liberdade pode estimular o pensamento critico tem que ser estendida ao seio da sociedade, pois suas concessões à arte e ao artista, caminham nessa ordem . O descolamento imprudente produz a sensação de vazio e, consequentemente de inviabilidade.
É importante que estudos acadêmicos que, na grande maioria, de imediato, trazem benefícios, ganhem as ruas, tanto nas capitais quanto no interior do pais, pois, estruturados, potencializados, podemos alçar vôos mais longos, porém o que precisamos agora é ocupar os nossos próprios espaços no coração da sociedade brasileira.
Se o artista precisa da concessão da sociedade para fazer a sua arte, ela, por sua vez precisa ter o direito ao pensamento, precisa retomar o direito à crítica do seu universo que lhe foi arrancado por uma objetividade sistematizada, por uma orientação técnica tanto educacional quanto profissional, tirando-lhe muito do sentido da vida.
Recobrar os sentidos e direitos do homem e seu cosmos é tarefa que poderá dar outra dimensão a ele que a cada dia vem sendo conduzido a pensar o consumo como forma de felicidade, numa cega obediência civil. Talvez por isso, a aquisição de um bem cultural produza a inserção de um modelo republicano para ambas as partes, arte e sociedade.
O sentimento existe, pulsa no coração do país, em cada um dos brasileiros e é justamente a sustentabilidade desse sentimento artístico ou cultural que mantém de cabeça erguida o povo brasileiro.
Juntar todas essas partes, construir atmosfera de aldeia, de circuito e enchê-los de humano, é esforço de exercício diário prudente e vigoroso. Das leis de incentivo, seja através de mecenato, seja através de ações diretas do MinC, o que se espera, é o respeito às escolhas da sociedade. O importante é manter viva essa frase, “cabe a nós todos fazer o diálogo”, nos desarmarmos para que possamos produzir uma comunhão de pensamentos de relevância na incursão de toda a sociedade no processo, podendo assim, fazer desses recursos algo que dê mais sentido de incremento e não de manutenção permanente sob o jugo definitivo de um Estado paternalista que exacerba ainda mais as, já agudas, diferenças sociais . Os recursos têm que dar sentido de equilíbrio para que alcancemos o chão.