O Juca é a própria Lei

Foto: Aldo Aldoz
Juca Ferreira não se contenta em ser a sombra de Gilberto Gil, alguém que ficou apenas para dar alguma institucionalidade aos inúmeros programas, discursos, propostas e idéias lançadas por Gilberto Gil.

Ele quer ser mais que Gil, quer ser lembrado por todos como o sujeito extirpou o câncer do investimento privado na cultura brasileira. Alguém capaz de alterar a lógica do próprio governo onde está inserido e transformar de maneira definitiva os rumos da cultura.

Assim como Hitler, Stalin, Bush ou Hugo Chaves, acredita que os meios justificam os fins. Tem uma visão própria de democracia, com respostas inflamadas e eloquentes para todas as acusações, do dirigismo ao intervencionismo.

Juca acredita que seu ministério é mesmo transparente, que existe diálogo, mesmo admitindo esconder os dados que manipula de toda a sociedade. Se considera o melhor gestor público da Esplanada, mesmo que a Agência Brasil o classifique como pior. Acredita que vai lotar os cofres de sua pasta com dinheiro público, por isso abre mão, sem pestanejar, de uma conquista histórica do setor.

Quer destruir com o mercado cultural, simplesmente porque não concorda com suas práticas. Tem uma visão própria de diversidade, até onde sua lente entorpecida alcança. Esse tipo autocentrado, egocêntrico, gosta de fazer leituras favoráveis à sua figura, considera natural fazer propaganda no site do Ministério (leia-se do Estado, da nação, do povo), escondendo críticas, injúrias e falácias da oposição.

Esse é o tipo que não mede esforços. Convoca as nações indígenas para anunciar que a “Lei Juca” irá beneficiá-los, em detrimento do show-business paulistano. Só acredita naquele mercado que está sob seu controle, na república que consegue enxergar, na democracia que o satisfaz. O resto, ainda que custe esforços e vidas, não lhe importa.

Seus editais são conduzidos, seus conselhos pró-forma, sua equipe tem de estar aos seus pés, não pode ter opinião própria. Seus amigos viram desafetos por um simples olhar, uma frase mal colocada. Seus inimigos são perseguidos, seus colegas punidos pelo poder central e irrestrito.

Convicto de suas ideias, transforma-as em doutrina. E a doutrina em Lei. Gosta de pregar sermões, faz yoga para não ouvir críticas. Não admite ninguém mais brilhante que ele próprio em sua equipe, tem medo de ser derrubado, está sempre sendo perseguido.

Em vez de encarar e propor soluções para a maior crise do setor cultural dos últimos 20 anos, quer brincar de estadista, piorar o que mal funciona, desde que deixe a sua marca para a eternidade. Tem inveja dos grandes, complexo de inferioridade.

O resultado disso tudo: aquilo que esperávamos ver consolidado, virou pó. Aquilo que já conquistamos está sob risco. 

Do caos à lama.

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