Será que ainda existem oportunidades no mercado exibidor? Ou seja, se você fosse (ou for) um investidor, você colocaria dinheiro num negócio de salas de cinema?
Pergunta intrigante, uma vez que tanto se fala hoje em dia sobre os meios de distribuição VOD (Video on demand), OTT (Over the Top), etc, e o quanto estes estão canibalizando o mercado das salas de cinema. À primeira vista parece loucura imaginar que ainda hajam oportunidades no mercado exibidor, mas vamos dar uma boa olhada nos números. Primeiro, como tem se comportado o público de cinema no Brasil ao longo dos últimos 40 anos? Veja o gráfico abaixo:
Olhando a curva, é possível distinguir quatro fases:
O auge no início da década de 70
Ladeira abaixo de 1974 a 1984
Estagnação com alguns soluços de 1985 a 2007
Recuperação de 2008 em diante
E como se comportou o mercado exibidor nesse período?
A recuperação do número de salas se iniciou antes da retomada do crescimento do público. É como se os investidores e empreendedores do segmento começassem a acreditar e a investir antes que o público retomasse o gosto por ir ao cinema.
Pois bem, parece que estamos numa retomada, mas qual o fôlego dessa retomada? VODs não irão interromper essa recuperação? O gráfico abaixo, resultado da última pesquisa da PWC Entertainment Outlook, mostra o seguinte prognóstico de receita para o Brasil para os próximos 5 anos – a linha azul representa a receita de bilheteria de cinema, e a vermelha de VOD e Pay Perview (em US$ milhões).

Fonte: PWC Entertainment Outlook 2013
O segmento de Electronic Home Video, como era de se esperar, tem uma taxa média de crescimento anual bem maior que os de sala de cinema – 25% contra 8,6%. Mas para uma economia que ultimamente anda de lado ou cresce 2% ao ano, crescer 8,6% parece bastante bom…
Mesmo no mercado mais maduro do mundo, o dos Estados Unidos, onde os lançamentos já começam a acontecer simultaneamente com os Pay per View e os VOD, o mesmo estudo da PWC aponta para uma taxa média de crescimento anual de 3,3% no mesmo período. Ou seja, tem bastante lenha pra se queimar ainda no mercado exibidor.
Agora a grande pergunta é? Onde investir?
Às vezes passo pela periferia de São Paulo, em regiões como Capão Redondo, Jardim Ângela, e sempre me impressiono com a pujança das áreas comerciais dessas áreas. Pode ser domingo, feriado, dia de semana, chova ou faça sol, o burburinho está lá. Pessoas e mais pessoas com sacolas nas mãos, nos bares e lanchonetes.
E o mesmo cenário pude observar em cidades menores no interior do Piauí, no interior da Bahia, e no interior de São Paulo. Ou seja, a tão noticiada Classe C está aí consumindo mais e mais. Empresas como Casas Bahia, Magazine Luiza, há muito perceberam essa oportunidade, e estão presentes em toda periferia.
Mas o que há de lazer para se consumir nessas regiões? E o que acontecerá quando o Vale Cultura se popularizar? Parece razoável supor que a demanda por lazer e cultura vai aumentar mais e mais.
Agora imagine que uma empresa crie um sistema de franquias para salas de exibição para a periferia e cidades do interior. Um sistema que desenvolvesse projetos de engenharia de diferentes portes, que permitisse criar ambientes multidisciplinares para consumo de cultura, que incluem as salas de exibição.
Projetos que envolvam mobiliários específicos, adequados aos ambientes que estarão inseridos. Assim como outros sistemas de franquias, o franqueado ganharia pelo fato de ter um sistema de negócios desenvolvido, marketing, negociação diferenciada com os distribuidores…
Enfim, apenas palavras ao vento à espera de empreendedores e investidores que as transformem em realidade.
*Publicado originalmente no blog da Movioca

