Papo mineiro com sotaque carioca

Após 17 anos de encontros literários na cidade de Belo Horizonte, “Sempre um Papo” ganha nova versão no Rio de Janeiro, no próximo dia 25, com Leonardo Boff e Zuenir Venturawww.culturaemercado.com.br
21/08/2003

Com uma bagagem de 17 anos bem sucedidos na cidade de Belo Horizonte, o projeto mineiro “Sempre um Papo” está de malas prontas para oferecer também ao público carioca as disputadas conversas com escritores best-sellers, autores premiados e escritores promissores. A estréia no Rio de Janeiro será no próximo dia 25 de agosto, segunda-feira, às 20h, na Casa de Cultura Laura Alvim, com falando sobre o tema “Que ética para qual país?”. Na ocasião, Leonardo Boff irá autografar seu livro Ethos Mundial (Sextante). O evento terá entrada franca.

Papo literário
Criado e coordenado por Afonso Borges, o “Sempre um Papo” já contou com a presença de escritores como José Saramago e Toni Morrison, Mario Vargas Llosa, Jostein Gaarder, Jean Baudrillard, Alain Touraine, Brian Weiss, Theodore Zeldin e Alain Badiou, entre muitos outros, além de centenas de autores brasileiros. Mais de 1.600 eventos, a que compareceram cerca de 600 000 pessoas, marcaram não só o lançamento de livros como propiciaram o debate de importantes e variados temas.


Abaixo, o jornalista Marcelo Souto Maior fala da importância do evento literário. Leia:

Ruy Castro sempre passa pelo “Sempre um Papo” quando lança seus livros. Zuenir Ventura também. Fernando Moraes idem… Um ano antes de receber o Prêmio Nobel de Literatura, José Saramago desembarcou em Belo Horizonte para participar do evento. Voltou dois anos mais tarde. No início deste ano, o agora best-seller Içami Tiba (autor do imbatível “Quem ama educa”) iniciou sua “campanha de vendas” no “Sempre um Papo” . Deu sorte.

Mineiro de nascença, o “Sempre um papo” é um fenômeno raro no Brasil: há 17 anos, promove encontros inesquecíveis entre o escritor e seu público em noites embaladas por palestras e autógrafos em auditórios ou teatros monumentais quase sempre lotados. Já foram mais de 1.600 eventos para um público estimado em pelo menos 600 mil pessoas.

Agora, às vésperas de completar 18 anos, o evento literário desembarca no Rio de Janeiro, com o patrocínio da Embratel e de Furnas, para colocar escritores de todas as linhagens – best-sellers, autores premiados, escritores promissores – frente a frente com o público carioca. A bela Casa de Cultura Laura Alvim, na beira da Praia de Ipanema, vai sediar os encontros.

Os convidados da primeira edição do evento, nesta segunda-feira, dia 25/08, são Zuenir Ventura e Leonardo Boff. Os dois vão discutir o assunto do momento: “Que Ética para Qual País?”, em plena votação das reformas, a partir das 20h, e Boff vai autografar o novo livro, ” Ethos Mundial” (Ed. Sextante). A entrada é franca e serão distribuídas senhas para os parcos 245 lugares da Laura Alvim.

Quem comanda a festa é o criador do “Sempre um papo” , um nome conhecido por todos os escritores “bem lançados” no Brasil: Afonso Borges. Foi ele quem idealizou o evento quando ainda estudava jornalismo em Belo Horizonte – tinha 24 anos – e é ele quem comanda cada etapa do ” show” até hoje. Afonso é um dos poucos promotores culturais do país que pode contar a seguinte história: há 15 anos, percorreu as ruas de Belo Horizonte ao lado de Hélio Pelegrino e Otto Lara Resende, convidados do “Sempre um Papo”, ouvindo histórias da infância e da boêmia dos dois na capital mineira. Quinze anos mais tarde, percorreu as mesmas ruas ao lado de outros dois jovens convidados do evento: os biógrafos de Hélio e Otto, Paulo Roberto Pires e Benício Medeiros.

Histórias não faltam na longa trajetória do evento literário que sobreviveu a quatro governos e a uma sucessão de crises econômicas, marcadas por falta de verbas, apoio e patrocínios. O sempre recluso Raduan Nassar foi um dos escritores que marcou presença numa das edições do “Sempre um papo” ao lado de uma companhia quase tão tímida quanto ele: Chico Buarque. Juntos os dois lotaram as 1.700 poltronas do monumental Palácio das Artes em Belo Horizonte e presentearam o público com um recital inesquecível. Raduan leu trechos de “Benjamin”, escrito pelo companheiro de palco, e Chico retribuiu com a leitura de contos de “A menina e o Caminho” , de Raduan.

Raduan se divertiu tanto com o texto lido por Chico que teve um acesso de risos. O ataque contagiou toda a platéia e o que era um “pingue-pongue” literário acabou se transformando numa crise de gargalhadas coletiva. Que mágicas como estas se repitam no Rio de Janeiro. Vida longa ao “Sempre um Papo”.

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