Para autor, internet não padroniza setor cultural

Em entrevista ao jornal Valor Econômico desta terça-feira (7/8), o jornalista francês Frédéric Martel, autor de “Mainstream – A Guerra Global das Mídias e das Culturas”, afirma que, embora os Estados Unidos continuem dominando a cena cultural mundial, aos poucos, países emergentes economicamente caminham para também ter influência e distribuir seus produtos em larga escala.

O livro retrata a indústria do entretenimento e como os países disputam o controle do setor. Durante cinco anos de pesquisa, o autor entrevistou 1.250 pessoas em 30 países, todas com diferentes funções na produção de filmes, música, televisão, rádio e literatura.

Martel comenta que “mainstream”, cuja tradução literal – dominante – tomou o sentido de produto cultural voltado para o grande público, é o inverso da contracultura, da subcultura, dos nichos. Para muitos, é o contrário da arte. Segundo o autor, a internet facilitou o acesso às produções, porém, não rompeu barreiras políticas que privilegiam a diversidade cultural.

“Em qualquer lugar do mundo, a música local ainda representa mais da metade de todo o material musical consumido”, observa. No audiovisual não é diferente. “Apesar do sucesso das séries importadas dos Estados Unidos, as emissoras apresentam muito conteúdo local, como as novelas na América Latina. E mais de 50% da bilheteria obtida em cinemas da França, Japão e República Tcheca são para filmes nacionais. Na Índia, a proporção chega a mais de 80%”.

Ele conclui dizendo que a web não está tornando a cultura mais global. “A internet apenas permitiu nosso contato com a diversidade cultural”.

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*Com informações do site Valor Econômico

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