Penetração de filmes no país de origem também é pequena na Europa

Na última semana, o Cultura e Mercado informou que o cinema nacional alcançou 15,5 milhões de espectadores em 2012, pouco mais de 10% do total do público que foi a uma sala de cinema no ano passado. Apesar da proporção pequena, a situação não parece ser diferente em mercados internacionais, como afirma matéria do jornal Valor Econômico.

Segundo o relatório do Observatório Europeu do Audiovisual de 2012, a participação de mercado dos cinemas nacionais é inferior a 15% em metade dos países do bloco. O maior “market share” é o do cinema francês, que atingiu 41,6% em 2011; o menor é o dos filmes portugueses, responsáveis pela venda de 0,7% dos ingressos no país (veja quadro). Nos 27 países da Comunidade Europeia, o cinema recebe subsídio do Estado e é beneficiado por medidas protecionistas, que variam na forma e no grau.

“Enquanto a indústria americana floresceu com base no livre mercado, o cinema, na Europa, simplesmente não teria sobrevivido sem o apoio do Estado”, escreveu o pesquisador suíço Christoph Graber no texto “Organização Mundial do Comércio: Uma Ameaça aos Filmes Europeus?”, estudo sobre as tensas relações entre cinema e comércio internacional.
Em vários países, existem uma legislação chamada cota de tela, explica a reportagem. Ele foi adotada na França, na Coreia do Sul, na Espanha e na Itália; as barreiras tarifárias para a entrada de “blockbusters” é prática na Índia, na Turquia e no Canadá; a cobrança de uma taxa sobre os ingressos vendidos (revertida em investimentos em produção) existe na França, na Alemanha e na Itália; e a televisão é obrigada a investir parte de seus lucros no cinema na França, na Itália e na Alemanha.
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