A partir da premissa “o cérebro global é a internet, com todas as pessoas conectadas nela”, o professor e teórico francês de origem tunisiana Pierre Lévy conduziu os cariocas por um passeio pelo futuro da web, e da sociedade. Com o cantor e ex-ministro Gilberto Gil, ele participou de uma mesa no projeto Oi Cabeça, com o tema “O poder da palavra na cibercultura”.
Destacando sua verve como filósofo digital, Lévy utilizou slides para separar o mundo material “onde temos um corpo, um espaço 3D”, do imaterial, ou simbólico: “Natureza deve ser entendida de maneira material e imaterial e devemos compreender a constante relação entre o espiritual e o material”.
Como ponto de partida, centrou-se em três aspectos: crescimento do poder de computação, aumento da capacidade das bandas de transmissão e aumento da capacidade de registro: “Nossa memória é potencialmente infinita e temos o poder de explorá-la”, explicou Lévy.
Ele também apresentou um novo paradigma para o espaço que se abre entre gerações, de pai para filho: “A dificuldade que existe de uma geração para entender a outra vai aumentar. A evolução da mídia vai acelerar essa distância”, explicou Lévy, para logo em seguida apresentar uma saída: “Devemos então resolver o problema de como usar o ciberespaço para aumentar nossa capacidade intelectual.”
Lévy levou 20 anos refletindo sobre o ciberespaço até encontrar uma solução que agradasse. Afinal, como podemos “agarrar as ideias e colocá-las para serem manipuladas, ou geradas, ou transformadas pelas máquinas”? Ele próprio responde: “A automação da percepção não é tão difícil, já que podemos manipular sons, imagens e texto”.
USL – Ele ainda foi além das ‘URLs’ e ‘Https’, em busca de uma nova camada de endereçamento na internet: “Precisamos inventar um sistema simbólico criado para a computação de conceitos”. Para tisso, criou o USL, em português, ‘Localizador Semântico Universal’, um sistema de endereçamento para metadados criados pelo conceito, pelo afeto.
Esse novo endereçamento não acabaria com a internet como nós conhecemos: “A escrita não eliminou a linguagem oral, então é um aumento”. Com o último slide apresentado, Pierre Lévy literalmente deu asas à sua criação, a internet semântica: “Imagine uma borboleta, ou uma grande águia. Ela vai sobrevoar sobre o conteúdo que já existe, como todos os tipos de plataformas e aplicativos e todo o universo WWW.”
Perguntado sobre como a internet semântica alteraria o processo de aprendizagem, Levy novamente foi visionário: “A exploração da memória será muito ampliada para o aprendizado e haverá uma forma diferente de raciocínio com a utilização desse novo sistema”.
“Digamos que no ciberespaço nós somos pequenas formigas nos comunicando e o resultado é uma espécie de inteligência coletiva que já existe. Agora, elas serão capazes de abrir asas e enxergar todos os trabalhos das formigas”, disse ele.
*Com informações do site da Secretaria de Cultura do Estado do RJ