Plenária debateu os cenários da política de comunicação

Primeiro painel da Plenária do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação avaliou futuros cenários da política de comunicação no Brasil

Avaliar os futuros cenários da política de comunicação no Brasil foi o tema abordado no primeiro painel de discussão da XIII Plenária do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), em Florianópolis. O ex-assessor da Casa Civil, engenheiro eletrônico Israel Bayma, levantou a gravidade da ausência de política de telecomunicações no Brasil e a discussão em volta da TV digital, rádio digital e a democratização dos meios de comunicacão. Bayma foi o interlocutor do painel de sexta à noite (dia 20), substituindo o dirigente da coordenação nacional do Movimento Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.

A convergência é inexorável –
A informação é um direito público e deve ser administrado da mesma forma, segundo Israel Bayma. Ele analisou o domínio da convergência tecnológica e o tecnicismo superexposto. “Apesar do foco da discussão estar na tecnologia, as normas também são fundamentais. ”Enquanto as empresas se concentram no lucro e conteúdo, a sociedade deveria se preocupar com o que essa tecnologia representa e onde ela vai atuar. Bayma alerta para a ironia de se discutir uma implantação de TV digital no país, enquanto 43 milhões de brasileiros não têm acesso ao telefone e 30 mil escolas públicas não tem energia elétrica. “Como vamos falar de democratização da comunicação quando as empresas Gradiente e Semp Toshiba divulgam que o valor do conversor da TV digital deverá custar entre R$ 200 e R$ 400 para o consumidor final?” Além da responsabilidade pública, foi citada a autonomia do mercado financeiro de tomar as decisões e esquecer da parcela com menos recursos.

A secretária de Comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rosane Bertoti, concluiu o painel recomendando quatro iniciativas: uma nova política econômica, a preocupação com o direito do trabalhador, o financiamento público da comunicação e o controle social. “A luta pela democratização da comunicação deve ser prato do dia para as lutas sociais, o feijão com arroz das manifestações”, argumentou.

Marianna Wachelke

Acessar o conteúdo