Por que queremos a DFCine?

A classe cinematográfica do Distrito Federal quer organizar o seu setor produtivo ampliando a sua atuação por toda a região Centro-Oeste. Existem inúmeras fontes de recursos para a produção audiovisual no país, especialmente os recursos vindos pela Agência Nacional de Cinema (Ancine), tanto por renúncia fiscal quanto por fomento direto. Por isso, uma agência-empresa que fomente o cinema e o audiovisual no Distrito Federal e do Centro-Oeste irá colocar-nos na vanguarda da produção nacional.

O setor do audiovisual brasileiro está sendo fomentado por uma série de recursos oriundos de editais, leis de incentivo, fundos de investimentos, financiamentos e patrocínios.  No nosso caso, a DFCine que queremos irá administrar os recursos para o edital de audiovisual do Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura, assim como os recursos voltados para a produção cinematográfica da nova Lei de Incentivo à Cultura do Distrito Federal e orientar o fundo de investimento do BRB-Funcine sobre as nossas prioridades na cadeia produtiva do setor.

Os recursos da Ancine oriundos por renúncia fiscal, como a Lei do Audiovisual, poderão ser coordenados pela DFCine trazendo e recebendo patrocinadores e apoiadores do audiovisual do Distrito Federal, garantindo seu retorno publicitário e institucional ou formando parcerias com distribuidoras de filmes e conteúdos televisivos para que se tornem fortes coprodutoras dos projetos audiovisuais e cinematográficos do Distrito Federal.

Já os recursos da Ancine oriundos por fomento direto, como apoio para participação e/ou exibição em festivais internacionais, o Prêmio Adicional de Renda (PAR), o Prêmio de Incentivo à Qualidade (PAQ) e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) serão disputados pelos filmes produzidos e distribuídos pela DFCine em pé de igualdade com os outros polos produtivos nacionais, assim incentivando que os filmes do Distrito Federal circulem pelos grandes festivais nacionais e internacionais, alcancem públicos em outras regiões e o que é mais importante coloque vastos recursos para o audiovisual no Distrito Federal.

Principalmente porque a Ancine, com a nova taxação sobre empresas de telecomunicações, isto é, a nova Condecine, elevou o patamar de recursos para o FSA, para além dos R$ 70 milhões que arrecadava com a antiga Condecine, precisando encontrar canais de escoamento de recursos para a produção audiovisual como meio para alcançar seus objetivos. Neste caso, a nossa DFCine seria o canal institucional de injeção de recursos federais para a região Centro-Oeste.

Dentre as atividades que a DFCine deverá realizar, além do fomento à produção, estão previstos o apoio a eventos promocionais e ações de comercialização e distribuição de produtos e direitos, subsídio à construção de salas, investimento em empresas e participação em fundos de investimento e a estruturação de uma film comission, facilitando a relação das produtoras com o órgãos do governo para realização de obras audiovisuais. Além disso, a DFCine irá desenvolver a cadeia produtiva do audiovisual do Distrito Federal que vai se materializar em novas mudanças, contemplando todos os formatos, gêneros e elos criados, isto é, curtas, médias e longas-metragens de animação, ficção e documentário, assim como produtos para televisão como programas, interprogramas, séries e microsséries de televisão; difusão do cinema e audiovisual; pesquisa e formação; e desenvolvimento do cineclubismo.

Dessa forma, criar uma agência-empresa de fomento da produção audiovisual do Distrito Federal irá proporcionar uma integração das condições de realização de filmes e obras audiovisuais no Distrito Federal com maior objetividade, organização e profissionalismo, para se tornar a expoente do cinema do Centro Oeste, centralizando os recursos federais oriundos da lei 12.485 e distribuindo como sócia na forma de fomento em produções audiovisuais realizadas na região.

Os Recentes Resultados do Cinema Brasiliense

Segundo dados da Ancine, a produção cinematográfica por unidades da federação no período da Retomada (1995-2012) coloca o Distrito Federal na 5ª posição nacional, com 13 longas-metragens produzidos. Comparado com os 468 longas-metragens produzidos no Rio de Janeiro e os 277 de São Paulo, torna-se irrisória a produção do Distrito Federal.

Porém, se olharmos os outros estados, como o Rio Grande do Sul com 39 filmes, Minas Gerais com 24 filmes, Bahia, Ceará e Pernambuco com 12 filmes cada, Paraná com 11 filmes, Santa Catarina com oito filmes, Espírito Santo com dois filmes e Mato Grosso com dois filmes, a produção brasiliense está numa disputa constante como terceiro polo produtor. Para mostrar essa luta pela produção brasiliense vejamos os casos abaixo.

A produtora 400 Filmes, que nos últimos três anos produziu três longas metragens: Uma Dose Violenta de Qualquer Coisa (2013), Nove Crônicas para um Coração aos Berros (2012), ambos de Gustavo Galvão, e A Cidade É Uma Só? (2011), de Adirley Queirós, além de diversas co-produções em curtas, longas e produtos para TV, contratou neste período cerca de 120 pessoas diretamente em cada um dos filmes. O filme do Adirley Queirós, feito na cidade satélite de Ceilândia (onde se tornou um micro-polo audiovisual do Distrito Federal), venceu a Semana dos Realizadores do Rio de Janeiro, de 2011, e o Festival de Tiradentes, em 2012, foi feito com recursos federais, cerca de 400 mil. O primeiro filme do Gustavo Galvão foi recentemente lançado em 7 capitais e atualmente está disponível em formato VOD (vídeo on demand) para 18 países ibero-americanos pelo iTunes da Apple.

O filme Um Assalto de Fé (2011), da diretora Cibele Amaral, lançado comercialmente em 2012, teve cerca de 100 trabalhando diretamente contado com equipe, elenco e equipe de finalização. Porém diversas empresas foram contratadas para serviços como alimentação, transporte, aluguel de equipamento de iluminação e maquinaria, estúdio e escritório. Muito importante ressaltar que 90% das filmagens aconteceram em Brazlândia (cidade-satélite da capital federal), o que promoveu a descentralização de gastos em outras regiões. O filme trouxe para o Distrito Federal, por meio do artigo 1º-A  e 3º da Lei do Audiovisual, R$ 650 mil, além de obter recursos locais, pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC), na ordem de R$ 350 mil.

O grande sucesso de bilheteria do Distrito Federal dos últimos anos foi sem dúvida o primeiro filme em longa-metragem do René Sampaio, Faroeste Caboclo (2013), uma coprodução da produtora Fogo Cerrado Filmes, de Brasília, e outras duas produtoras cariocas. O filme custou R$ 7 milhões, durou nove semanas de filmagem, sendo que quase sete semanas foram feitas na capital federal.

O filme obteve recursos públicos locais via FAC no valor de R$ 700 mil e o restante via Lei de Audiovisual. As filmagens custaram cerca de R$ 3,5 milhões. Foram gasto cerca de R$ 3 milhões no lançamento, tendo a sua pré-estreia em Brasília, na noite de 14 de maio, um público de 1.500 pessoas. No dia 29 de maio, data da estreia comercial, cerca de 460 salas foram ocupadas, representando um market share de salas na ordem de 20%. O público pagante foi de 1.502.277, excluindo o público das pré-estreias. A renda total do filme foi de R$ 16,4 milhões.

O filme ficou 12 semanas em cartaz e foi lançado nos Estados Unidos, além ter sido exibido em mais de 15 festivais internacionais. Foi o grande vencedor do 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP de 2014, concorrendo com todos os filmes nacionais lançados em cinema no país.

Assim, filmes como O Sagrado Segredo (2012), de André Luiz Oliveira, produzido pela Asacine Produções, foi exibido em cinco salas comerciais de cinema, que teve 499 expectadores, ou Um Assalto de Fé (2011), da Cibele Amaral, que esteve também em cinco salas, obteve 4.384 pagantes, segundo dados da Ancine, poderiam ter alcançado valores bem maiores se tivessem todo o apoio institucional de uma agência-empresa de fomento, como a DFCine.

Da mesma forma que filmes como Faroeste Caboclo (2013), de René Sampaio e A Cidade é Uma Só? (2011), de Adirley Queirós, vencedores em festivais nacionais, poderiam ter tido uma carreira mais longa de sucesso e, também, alcançado novas e maiores plateias que buscam em filmes tão distintos que o cinema pode oferecer, seja o entretenimento de um filme comercial seja a reflexão de um filme experimental.

Por isso, urge a necessidade de organizarmos o setor audiovisual do Distrito Federal e modernizar a produção audiovisual e cinematográfica, criando instrumentos, mecanismos e estratégias de melhor inserção do cinema brasiliense, no país e no mundo.

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