Preço médio do livro cresce 12,46%

Foram apresentados na última quarta-feira (30/7) os resultados da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada anualmente pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE/USP) sob encomenda do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Foto: Tracy Elizabeth O estudo revelou que o crescimento nominal do setor editorial brasileiro em 2012 foi de 3,04%. Esse percentual significa um decréscimo real de 2,64%, considerada a variação de 5,84% do IPCA no ano passado. Contudo, desconsideradas as compras feitas pelo governo, o crescimento apurado foi de 6,36%, o que significa um aumento real de 0,49%, o primeiro registrado desde 2008.

Ao todo, foram vendidos 434.920.064 exemplares, o que gerou um faturamento de R$ 4.984.612.881,04 (aumento de 3,04%). Mas isso não é reflexo de mais exemplares sendo produzidos e vendidos, e sim de um aumento no valor do livro. Houve uma queda de 2,91% na produção e de 7,36% nas vendas de livros, tanto para o mercado quanto para o governo. E a partir do momento em que se tem redução no número de exemplares produzidos e vendidos, o custo unitário fica mais alto.

O preço médio do livro cresceu 12,46% em 2012 considerando apenas as vendas ao mercado, interrompendo a queda contínua que vinha sendo observada desde 2004. Ainda assim, é um preço médio em termos reais 41% abaixo do vigente naquele ano.

“O livro, assim como qualquer outro bem de consumo, depende do desempenho da economia. É atrelado ao crescimento do PIB e depende que o consumidor esteja com espírito de consumo”, afirma a presidente da SNEL, Sônia Jardim.

Ela explica que a queda nas vendas foi maior para o governo (-10,31%), que tem um calendário de compras e que muda anualmente conforme seus programas. Mas independente desse calendário, espera-se maior investimento no incentivo à leitura nas escolas. “O hábito da leitura é formado na escola. Se o governo não tem esse investimento na compra de livros e, portanto, no desenvolvimento desse hábito, é difícil formar leitores”, diz Sônia.

No segmento dos Didáticos, houve uma queda de 11,09% de exemplares vendidos para o mercado. Já o segmento de Obras Gerais foi o grande destaque: aumentou em  7,65% suas vendas para o  mercado, o que significa um total de 108.951.867 exemplares vendidos. Também houve um aumento do número de exemplares produzidos em Obras Gerais em 8,24%, totalizando 116.813.030 unidades. Os Religiosos, vedetes em 2011, em 2012 tiveram uma queda de 19,18% no total de exemplares vendidos.

As livrarias continuam sendo o principal meio de venda de livros no Brasil, registrando um aumento de 44,90% para 47,42% na sua participação no mercado (127.351.708 exemplares vendidos). Isso gerou um faturamento de R$ 2.251.232.130,30 para o segmento, montante que corresponde a 61,36% de participação.

A venda de e-books no Brasil aumentou em 3,5 vezes de 2011 para 2012, mas o valor total das vendas, segundo a pesquisa, ainda é insignificante – menos de 0,01% do faturamento do setor.

“A nossa impressão é que aqueles leitores que frequentam a livraria continuam com esse hábito, apesar de não ter havido aumento significativo. E para nós isso é fundamental, porque a livraria é o grande showroom. Na internet você vai pra ver o que já sabe que quer ler. Especificamente no caso de Obras Gerais, que não são leituras obrigatórias, esse prazer de frequentar a livraria e descobrir um livro que você não fazia nem ideia que existia, ou uma capa interessante, ou uma referência qualquer que exista no livro, ler uma orelha… essa experiência só a livraria te oferece. Por mais instrumentos sofisticados de busca que os sites tenham, esse prazer é insubstituível”, acredita Sônia Jardim.

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