Prefeitura de SP retoma Ônibus-biblioteca - Cultura e Mercado

Prefeitura de SP retoma Ônibus-biblioteca

Projeto que vinha sendo ?sucateado? nas gestões anteriores, segundo o secretário Marco Aurélio Garcia, vai levar cerca de 14 mil livros a bairros desprovidos de bibliotecasPor Sílvio Crespo

Na última quarta-feira, 18 de setembro, voltaram a circular na periferia de São Paulo os Ônibus-biblioteca. Com um total de 14 mil livros divididos em quatro ônibus, a prefeitura de São Paulo retoma o projeto iniciado na gestão Luiza Erundina, em 1990, com o objetivo de levar livros aos bairros paulistanos que não são atendidos pelas 67 bibliotecas municipais.

Kombi-bilbioteca
A partir da gestão Paulo Maluf, o projeto ônibus biblioteca foi sendo, aos poucos, ?sucateado?, segundo o secretário municipal da cultura Marco Aurélio Garcia. ?Além do descaso com a manutenção dos veículos, o acervo também não foi renovado?, explica. De acordo com Elisa Machado, diretora do Departamento de Bibliotecas Públicas do Município, quando a atual administração tomou posse, ?faltavam peças nos veículos e alguns nem sequer tinham rodas?.

Para completar, uma série de multas e problemas legais impediam o andamento do projeto. Devido a isso, desde o início do ano a Secretaria da Cultura colocou provisoriamente nas ruas uma Kombi-biblioteca, para substituir os ônibus.

Iniciativa privada
A Secretaria Municipal da Cultura investiu R$ 35 mil na recuperação do projeto, incluindo a reforma dos quatro ônibus e a ampliação dos acervos. Semanalmente, 12 bairros da periferia receberão as bibliotecas móveis, em dias fixos, pré-determinados e divulgados para os moradores. Cada ônibus atenderá três bairros por semana, de segunda-feira a domingo. Agora, ?a prefeitura procura formar parcerias com a iniciativa privada para conseguir mais ônibus e ampliar o projeto?, diz o secretário da cultura.

Do tempo de Mário de Andrade
Apesar de o projeto ter sido inaugurado pela prefeita Luiza Erundina, a idéia um sistema móvel de bibliotecas surgiu na década de 1930. Mário de Andrade, Paulo Duarte, Sérgio Milliet e outros intelectuais da época estacionavam um carro-biblioteca na Praça da República e no Jardim da Luz, região central da cidade, expondo a mostra Coleções Ambulantes. Todos os exemplares vistos ali poderiam ser lidos e emprestados à população na Biblioteca Municipal, hoje Biblioteca Mário de Andrade.

O projeto, ganhou corpo em 1977, com a utilização de carros do tipo Kombi em roteiros atingindo bairros periféricos. Em 1990 foram criados os Ônibus-Biblioteca, que agora retornam à periferia da cidade.

Como funciona
Para utilizar o ônibus-biblioteca, o leitor deve fazer sua matrícula, apresentando RG e comprovante de endereço. Cada leitor pode dispor de até três livros e uma revista em quadrinhos por semana, e a devolução é feita na semana seguinte ao empréstimo, com direito a mais uma semana de renovação (se não houver reservas para o livro em questão). Cerca de 50% do público é de jovens entre 10 e 20 anos, e 60% é de mulheres.

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