A produção nacional de longas-metragens ferve à temperatura máxima, num aquecimento raras vezes visto na América Latina.
Dos estados do Nordeste até o Rio Grande do Sul, um dos polos mais prolíficos do setor no país, somam-se pelo menos dez filmes animados com duração superior a 60 minutos saindo do forno. Inclua na conta superproduções como “Minhocas” de R$ 10 milhões, ou projetos de maior experimentação narrativa como “Lutas”, de Luiz Bolognesi, roteirista premiado por “Bicho de sete cabeças” e “As melhores coisas do mundo”.
– Quero levar “A floresta é nossa”, que retoma os personagens de “Brichos”, de 2006, ao Festival do Rio do ano que vem. O trabalho está correndo – promete o paranaense Paulo Munhoz, um dos poucos animadores envolvidos em longas com um cronograma de mercado já definido.
Mas o filme de Munhoz ainda tem uma estrada comprida a percorrer antes de chegar às telas, que ilustra o atual problema do setor animado: para disputar a atenção das plateias nestes tempos em que a Pixar arranca lágrimas com “Toy story 3” e a Pacific Data Images (PDI) esmaga o mau humor com “Shrek para sempre”, os longas do Brasil têm retardado sua finalização cada vez mais, em busca da excelência estética. Essa é a razão pela qual o Anima Mundi, que vinha exibindo no mínimo um longa brasileiro por edição desde 2005, este ano, na ala verde-amarela, só terá curtas-metragens – são 76 ao todo. Por isso também, o festival terá que se contentar em exibir (no dia 23, às 15h) apenas um trecho do novíssimo trabalho do diretor gaúcho Otto Guerra, “Até que a Sbórnia nos separe”.
Hoje, na classe de animadores, falar em “maior sofisticação formal” é falar em 3D.
Essa crença não foi compartilhada pelo longa nacional encarado como maior aposta para vencer no exterior: “Minhocas”, de Paolo Conti e Arthur Nunes. Rodado em stop-motion (técnica na qual se filma personagens quadro a quadro, dando sensação de movimento), o longa chegaria a R$ 20 milhões caso passasse pelo banho de loja da terceira dimensão.
– O mercado animado brasileiro esbarra no entrave do financiamento. É difícil um orçamento de longa crescer para além do que “Minhocas” alcançou sem que prove ser capaz de dar resultados que assegurem esse investimento. Mas, se você não tem meios para executar um projeto com a qualidade que ele requer, a bilheteria nunca virá – diz Conti, que realiza a produção em Santa Catarina, num parque tecnológico mais econômico.
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*Fonte: O Globo (Rodrigo Fonseca)