Com a nova lei da TV paga, as empresas do setor audiovisual estão ampliando seu foco de trabalho. Segundo reportagem do jornal O Globo desta terça-feira (28/8), depois de 50 anos produzindo filmes, entre eles alguns clássicos do cinema brasileira, a produtora LC Barreto (Luiz Carlos Barreto), localizada em Botafogo, agora também possui um departamento de projetos para a televisão.
“Há uma febre de desenvolvimento de projetos para a TV paga. Muita gente vinha trazer ideias aqui mas, como não tínhamos uma estratégia para a área, acabávamos deixando passar muitas ofertas. Foi essa nova demanda que nos estimulou a colocar em prática uma velha vontade da empresa, a de montar um núcleo só para desenvolver projetos para a televisão” explica Daniel Tendler, um dos diretores do novo departamento da LC Barreto.
O mesmo aconteceu com a Giros, que precisou aumentar a equipe em 30% no último ano. “Tivemos que contratar mais pessoal para atender a demanda. Costumávamos desenvolver e produzir uma média de 10 produtos por ano; hoje temos cerca de 35, em diferentes estágios de realização. Acho que, em função da lei, a produção de conteúdo independente no país vai passar das 400 horas (anuais) para três mil”, diz Belisário Franca, diretor artístico da empresa.
Nao sul do país, as produtoras também estão se adaptando às reformulações. “As pessoas que trabalham com audiovisual aqui em Porto Alegre estão muito otimistas, criando sem parar. É um momento legal, há uma gurizada vindo com muitos projetos, mas que precisam ser amadurecidos”, explica a diretora da Casa de Cinema de Porto Alegre, Anna Luiza Azevedo.
Para dar conta da demanda de produções que precisarão ser realizadas, a Fundação Joaquim Nabuco, em Recife (PE), está criando cursos de capacitação para o mercado.
Mas as produtoras que não atuam no eixo Rio-São Paulo temem a concentração dos recursos destinados à lei. “Quem garante que a cota mínima dos 30% para os estados periféricos será cumprida? A LC Barreto nunca se preocupou com a TV, agora tem uma divisão só para ela. Fernando Meirelles, da O2, disse que já recebeu dezenas de projetos só para atender a cota. As TVs acabam procurando quem já tem experiência na área, que pode entregar trabalhos de qualidade dentro do prazo”, ressalta Guto Pasko, diretor da GP7, também diretor de articulação política e de integração da ABD (Associação Brasileira de Documentaristas e Curtas-metragistas) nacional.
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*Com informações do site do jornal O Globo