Rádio: futuro do pretérito - Cultura e Mercado

Rádio: futuro do pretérito

Ele já foi rei, criou mitos, integrou a nação, foi decretado morto e renasceu das cinzas. Do começo dos anos 1950, quando era dono de 40% das verbas destinadas à publicidade no Brasil, até os 4% dos últimos anos, o rádio segue em constante reinvenção, se adaptando à cada mídia nova que surge no horizonte.

Apesar dos altos e baixos, mantém seu poder: é hoje o segundo meio de comunicação mais utilizado pela população brasileira, perdendo somente para a TV. De acordo com a Pesquisa Brasileira de Mídia, realizada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) em 2013 e publicada em fevereiro, 61% da população têm o costume de ouvir rádio.

Em 2013, o número de emissoras de rádios FM comerciais no Brasil alcançou a cifra de 2.695 e as rádios comunitárias chegaram a 4.504, segundo dados do Ministério das Comunicações. Nos últimos anos, o maior crescimento tem sido no segmento das comunitárias. “Acho extremamente importante porque é uma comunicação do povo para o povo. A premissa é essa. Todas as rádios comunitárias têm que ter essa preocupação”, analisou o rapper e cantor Criolo em entrevista recente. Segundo ele, a rádio deve ser vista como utilidade pública: para difundir a canção do artista da comunidade, falar o que acontece na região e expor a vida cultural local.

De 1980 até 2000, o rádio registrou uma queda de 8% para 4% na sua participação no bolo publicitário. A internet foi considerada por alguns como mais uma ameaça, mas já provou o contrário: sua popularização vem beneficiando o rádio em diversos aspectos. Trouxe de volta ouvintes jovens que haviam perdido o hábito de usar aparelhos de rádio, expandiu o espaço para novas estações, reforçou a interação que sempre existiu entre comunicador e seu público – que passou a participar instantaneamente na programação -, levou estações locais a ganharem audiência mundial, entre outros benefícios.

Evolução tecnológica – O primeiro sistema de rádio digital surgiu na Europa no início da década de 1990 e se chama DAB – Digital Audio Broadcasting. Os Estados Unidos optaram por outro sistema, chamado Iboc – In-band On-Channel, em que o sinal é transmitido nos canais laterais do analógico. Já o Japão criou um outro, o ISDB – Integrated Services Digital Broadcasting.

Em 1996, as emissoras que atuam em ondas curtas com cobertura internacional, como a Voz da America, Deutsche Welle, BBC e Radio France Internationale, criaram o DRM – Digital Radio Mondiale, sistema in-band com sinal digital transmitido dentro da mesma faixa dos analógicos. Em 2001, a Coreia do Sul criou, a partir do DAB, uma plataforma multimídia de faixa estreita, o DMB – Digital Multimedia Broadcasting.

Hoje em dia, a maioria das estações têm sua versão online. Além delas, há diversos serviços de streaming de músicas utilizados no Brasil como Rdio, Deezer, Grooveshark, Rara, Spotify, Sonora e Xbox Music.

Por aqui, uma das mudanças mais recentes no setor é a migração das rádios AM para a frequência FM, definida pela portaria no 127 do Ministério das Comunicações e aprovada em março pelo decreto presidencial no 8139. A expectativa é que as rádios AM recuperem a audiência, prejudicada não só por causa da interferência no sinal de transmissão, mas também porque não podem ser sintonizadas por dispositivos móveis, como celulares e tablets.

Outra mudança recente (e mais lenta) é a transição da transmissão analógica para a digital. O Ministério das Comunicações, por meio da Portaria 290 de 2010, instituiu o Sistema Brasileiro de Rádio Digital (SBRD), mas ainda não definiu o padrão tecnológico que será utilizado para digitalização do rádio.

De qualquer forma, o rádio será cada vez mais encarado como uma “central de convergência de mídias”, onde, juntamente com o áudio, o ouvinte poderá receber textos e até fotos. No novo sistema, o som das emissoras AM recebe qualidade de FM e as FMs ganham som de CD. Cada frequência poderá ter até quatro programações simultâneas, o que aumentaria – e muito – a audiência alcançada, a variedade de opções para o anunciante e, por conseguinte, os empregos gerados pelo setor.

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*Com informações do site VaiDaPé e da Abert

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