Além do sucesso de público, projeto consegue pagar seus custos, mesmo dividindo a bilheteria com as distribuidoras. Iniciativa faz parte de política de apoio à exibiçãoPor Sílvio Crespo
26/02/2003
Em 2003 completa 10 anos o Projeto de Popularização do Cinema no Parque do Recife, em que ingressos de filmes nacionais e estrangeiros são vendidos por R$ 1,00. O sucesso de público é mais do que evidente: Cidade de Deus, de Fernando Meirelles, teve mais de 16 mil espectadores em duas semanas. Madame Satã reuniu mais de 2,4 mil pessoas em apenas 5 dias. Mas além do esperado sucesso de público, surpreendente é o fato de que, cobrando esse valor quase simbólico, o projeto é auto-sustentável.
Diversidade
De iniciativa da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, o Cinema no Parque funciona em uma sala de teatro fundada no início do século, mas que exibe filmes desde 1948. O projeto procura oferecer uma programação diversificada. É exibido ?o máximo de filmes nacionais e o máximo de diversidade?, diz o chefe da Divisão de Multimeios da Fundação, Marcos Enrique Lopes.
Financiamento
A popularização do Cinema no Parque baseia-se em um acordo verbal com as distribuidoras. ?Quando um filme sai do circuito comercial, tem sempre uma cópia que sobra, e a distribuidora fornece para o projeto?, explica Lopes. ?Então, dividimos meio a meio todo o dinheiro que entra?, conclui.
Dessa forma, recebendo apenas 50 centavos por ingresso, o projeto Cinema no Parque normalmente consegue pagar seus custos de manutenção (sem incluir os gastos com pessoal, pagos pela prefeitura) e ainda melhorar o espaço ? foi colocado aparelho de ar condicionado e foram feitas melhorias nas instalações. Mas com a desvalorização do real, a condição de auto-sustentabilidade do projeto pode estar ameaçada. ?Como é subsidiado, é possível que continue [vendendo ingressos por R$ 1], mas não sei por quanto tempo?, diz Lopes.
Apoio à exibição
O projeto faz parte de uma política mais ampla da Fundação de Cultura centrada na exibição de filmes. Atualmente, a indústria cinematográfica tem conseguido alcançar bons números relativos à produção, mas sua ?pedra no sapato? tem sido especificamente a distribuição e a exibição. Assim, a Fundação promove a itinerância de mostras como o Festival Mix Brasil e o Festival Internacional de Curtas de São Paulo, que irá a Recife pela primeira vez este ano. Realiza, ainda, festivais em que filmes nacionais são premiados com até R$ 80 mil.
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