A RioFilme anunciou nesta terça-feira (25/10) que investirá no ano que vem ao menos R$ 31 milhões em 70 projetos de empresas cariocas de audiovisual, entre filmes, festivais e ações de democratização do acesso. Trata-se de um investimento recorde na história da empresa, que completará 20 anos em 2012.
O evento contou com a presença do secretário municipal de Cultura, Emílio Kalil, da secretária municipal de Fazenda, Eduarda La Rocque, do diretor-presidente da RioFilme, Sérgio Sá Leitão, da diretora do Festival do Rio, Walkiria Barbosa, e de vários diretores, produtores, distribuidores e exibidores cariocas.
O valor total a ser investido ainda deve superar o anunciado, já que ao investimento direto da RioFilme se somarão, ao longo do ano que vem, os recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e do Funcine Rio 1, um fundo de investimento criado pela RioFilme em parceria com o BNDES, a Investe Rio, a Firjan e a Lacan Investimentos, que terá R$ 18,5 milhões e começará a investir em 2012.
Com esses investimentos, somados aos R$ 60 milhões investidos em 170 projetos nos últimos três anos, o Rio se tornou a capital brasileira que mais investe em audiovisual. O investimento recorde em 2012 e as novas ações anunciadas marcam a consolidação do processo de revitalização da empresa, iniciado em 2009.
Uma das novidades anunciadas no evento é a criação do Programa de Fomento ao Audiovisual Carioca (FAC), que prevê um investimento não-reembolsável de R$ 10 milhões por meio de 5 linhas: desenvolvimento de longas, desenvolvimento de TV, produção de curtas, produção de documentários para TV e produção e finalização de longas.
Os projetos serão selecionados por comissões, que serão formadas cada uma por quatro profissionais do setor e um representante da RioFilme. Os recursos deverão ser gastos no Rio. Apenas empresas sediadas na cidade poderão concorrer. “Com o FAC, o projeto da nova RioFilme se completa. Teremos, assim, R$ 10 milhões para operações reembolsáveis de investimento em filmes, focadas no êxito comercial dos projetos, e R$ 10 milhões para operações não-reembolsáveis, focadas na relevância cultural e artística, na diversidade da produção e na revelação de novos talentos”, declarou Sérgio Sá Leitão.
Segundo ele, a criação do FAC estava prevista desde 2009. “A idéia sempre foi combinar os investimentos reembolsáveis com ênfase no valor econômico e os não-reembolsáveis com ênfase no valor cultural. Iniciamos com o reembolsável para mostrar resultados e elevar a capacidade de investimento da empresa. Agora, com o apoio das entidades e da Prefeitura, chegamos ao FAC.”
RioFilme em 2012:
· Investimento reembolsável direto na produção e no lançamento de filmes: R$ 10 milhões
· Investimento não-reembolsável em filmes e conteúdo de TV (FAC): R$ 10 milhões
· Apoio à realização de eventos setoriais estratégicos: R$ 3,5 milhões
· Funcine Rio 1: R$ 4 milhões
· Ações de democratização do acesso e outros: R$ 3,5 milhões
Sobre o FAC – Além dos R$ 10 milhões da RioFilme, o FAC terá ainda R$ 1 milhão do Canal Brasil (em regime de coprodução) e R$ 100 mil do Instituto Oi Futuro (prêmio de aquisição). “Com isso, a exibição dos filmes realizados a partir das linhas de produção de documentários para TV e de curtas está assegurada”, explicou Sérgio. “Os produtores serão remunerados e o público terá acesso aos filmes.”
Estão previstas 5 linhas:
1) Desenvolvimento de projetos de longas > R$ 1,5 milhão (até R$ 150 mil por projeto)
2) Desenvolvimento de projetos de TV > R$ 1 milhão (até R$ 150 mil por projeto)
3) Produção de curtas > R$ 1,2 milhão + R$ 100 mil do Oi Futuro (até R$ 80 mil por projeto + R$ 10 mil de aquisição opcional)
4) Produção de documentários para TV > R$ 1 milhão + R$ 1 milhão do Canal Brasil (até R$ 300 mil por projeto + R$ 200 mil em mídia)
5) Produção e finalização de longas > R$ 5 milhões (até R$ 500 mil por projeto)
Cronograma:
– Início da consulta sobre os regulamentos: 11/11/2011 (entidades do setor audiovisual poderão opinar sobre o teor dos regulamentos)
– Conclusão da consulta: 25/11/2011
– Publicação dos regulamentos: 2/12/2011
– Início das inscrições: 12/12/2011
– Fim das inscrições: 13/1/2012
– Publicação do resultado: 2/4/2012
Na ocasião do lançamento, a Rio Filme fez um balanço dos resultados obtidos até agora com a nova gestão. Entre eles, a empresa ressalta:
1) O valor anual investido diretamente pela empresa saltou de R$ 1,1 milhão em 2008 para R$ 21,2 milhões em 2011, um crescimento de 19 vezes. A esses valores somam-se os recursos via Lei do ISS e os recursos repassados por terceiros, geridos pela RioFilme. Total de R$ 60 milhões entre 2009 e 2011.
2) A RioFilme passou de 22 projetos investidos em 2008 para 95 em 2011. Um crescimento de 4,3 vezes no alcance (e na relevância) da empresa.
3) Entre 2009 e 2011, a RioFilme realizou investimentos em 41 longas, dos quais 16 já foram lançados. A empresa tem hoje uma carteira diversificada de 24 filmes, de diversos gêneros, perfis e públicos, para os próximos anos.
4) Aos poucos, o investimento da RioFilme tornou-se mais relevante para o mercado e para a cidade. O público dos filmes investidos lançados saltou de 18,6 mil espectadores em 2008 para 5,6 milhões em 2011.
5) Entre 2009 e 2011, a RioFilme apoiou 47 festivais, mostras, premiações e até uma exposição sobre o filme “Rio”. O número total de participantes dos eventos apoiados saltou de 543 mil pessoas em 2009 para 760 mil em 2011 (12% da população carioca).
6) A RioFilme investiu ainda em projetos de democratização do acesso, entre os quais o CineCarioca na Praça e o primeiro cinema 3D em uma favela brasileira, o CineCarioca Nova Brasília (61 mil espectadores em 9 meses, com 1.300 sessões e 53% de taxa de ocupação, uma das maiores do país).
7) A participação de gastos administrativos e salários (custeio) no total empenhado pela empresa (custeio + investimento) caiu de 71% em 2008 para 12,9% em 2011.
8) A arrecadação da empresa com as receitas feitas a partir dos projetos investidos e os recursos repassados por terceiros saltou de R$ 1,4 milhão em 2008 para R$ 8 milhões em 2010. E até setembro de 2011 chegou a R$ 5,8 milhões.
9) Considerando 13 lançamentos de filmes investidos em operações reembolsáveis, a RioFilme já atingiu 89% de retorno do capital investido. Ou seja, para cada R$ 1 investido, R$ 0,89 voltaram para serem investidos novamente. A empresa estima chegar a 100% até o final de 2011.
10) Até o fim de 2012 a Prefeitura terá aportado R$ 47,8 milhões na RioFilme, R$ 7,8 milhões a mais do que o prefeito Eduardo Paes anunciou em 2009. E a RioFilme terá investido no setor R$ 91 milhões, ou R$ 10 milhões a mais do que o previsto em 2009. Em quatro anos, 82,7 vezes mais do que o investido em 2008.
* Com informações da RioFilme.