
O secretário-ajdunto de cultura do Estado de São Paulo responde, com exclusividade a Cultura e Mercado, sobre a suspensão do ProAC e comenta sua relação com a crise provocada pelo esvaziamento da Lei Rouanet e a crise econômica.
Leonardo Brant – O ProAC foi suspenso recentemente. O que aconteceu? Como evitar esse tipo de problema?
Ronaldo Bianchi – O Programa de Ação Cultural (ProAC) atingiu o volume orçamentário (R$ 50 milhões) no mês de agosto, portanto não há problema.
LB – Você enxerga alguma relação entre o desgaste da Lei Rouanet e a concentração de recursos no incentivo estadual?
RB – O desgaste da Lei Rouanet existe porque esta indefinição do que vai ser está prejudicando os produtores e as empresas estão inseguras em aplicar seus recursos na atual lei. A captação pelo Programa de Ação Cultural é muito mais fácil tanto para o proponente, quanto para o incentivador se comparada à Lei Rouanet. O programa estadual de incentivo é baseado em imposto que independe do lucro da empresa. Sugerimos ao Ministério da Cultura que além do Imposto de Renda o contribuinte incentivador possa deduzir a sua contribuição à cultura por outro imposto como o IPI ou o IOF.
LB – A crise econômica tem castigado os profissionais da cultura, sobretudo por falta de iniciativas do poder público para minimizar os seus efeitos. Você faz alguma relação direta entre a crise e a suspensão do ProAC?
RB – O ProAC foi um sucesso e chegou ao limite orçamentário. Mesmo com a crise, o Governo do Estado de São Paulo destinou R$ 50 milhões pelo ProAC-ICMS e mais R$ 16 milhões por meio de editais para a cultura. A suspensão de novos credenciados para o ProAC-ICMS se deve ao seu sucesso e não está relacionado à crise.
LB – O governo do Estado de São Paulo foi o último a conveniar com o MinC para editais dos Pontos de Cultura. Por quê?
RB – Não tenho a informação de que o Governo de São Paulo foi último a se conveniar com o MinC. Sei que a Secretaria de Estado da Cultura optou pela melhor forma legal de estabelecer uma parceria, via edital.
LB – Na sua opinião qual será o desfecho do processo de revogação da Lei Rouanet e criação do Profic?
RB – A criação do Profic será um retrocesso para o incentivo à cultura no Brasil. Haverá uma queda no interesse empresarial caso seja mantida a forma atual da minuta. As justificativas do MinC de alterar a Lei Rouanet não são objetivas. A Lei Rouanet tem mecanismo para reequilibrar qualquer intranquilidade administrativa, seja por área de expressão, ou por área geoeconômica. O mecanismo tem nome e está na Lei Rouanet chama-se: Fundo Nacional de Cultura. Essa obsessão em mudar a lei não se ampara na razão. O Fundo pode receber verba do orçamento para o Ministério aplicar onde quiser. O que falta é força política do MinC em exigir mais recursos para seus projetos. Querer tirar recursos do incentivo fiscal é uma ilusão. O MinC deveria buscar mais verba e não diminuí-la.