Secretarias de Cultura em Pauta II

Cultura e Mercado segue apresentando as secretarias de cultura dos Estados brasileiros. Conheça as propostas para a região Centro Oeste

Brasília
Reagindo com surpresa quando foi convidado a assumir a pasta de Cultura, o jornalista Silvestre Gorgulho, ainda tentou dissuadir o recém-eleito governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, a desistir da escolha. A tentativa foi em vão, já que o governador conhecia o jornalista de longa data, desde a época em que trabalharam juntos no secretariado do governo José Aparecido, em 1986.

Embora o jornalista já tenha experiência em cargos públicos na área de comunicação social e meio ambiente, além dos 33 anos de vida em Brasília, Silvestre considerou que seria um grande desafio se dedicar à pasta da cultura. “Sou assíduo freqüentador cultural, não sou gestor cultural. Estou aprendendo a ser. Caí num vulcão”, assume, no oitavo dia como secretário. “Mas quero fazer o melhor que posso. Com meu discernimento, minha história, minha vivência”, enumera o novo secretário em entrevista ao jornal Correio Brasiliense.

Depois de aceito o desafio, esse mineiro nascido na pequena São Lourenço e com 60 anos, tem planos ambiciosos para o cargo. Silvestre pretende descentralizar a cultura no Distrito Federal, com foco nas cidades à margem do Plano Piloto. “Todo mundo critica a distribuição de renda no Brasil, mas e a distribuição de cultura?”, questiona. “O Plano Piloto tem os cinemas, os teatros. Queremos inverter esse quadro. As cidades-satélites estão numa efervescência, numa ebulição”, avalia.

Para isso, o secretário quer valorizar a periferia multiplicando as casas de cultura, que contarão com espaço para apresentações artísticas e oficinas. A primeira será construída em Taguatinga e já conta com a colaboração do administrador regional, Benedito Domingos. Um terreno próximo à Casa do Cantador está cotado como a filial ceilandense do projeto. Em um acordo com o governador José Roberto Arruda, Oscar Niemeyer desenhará os prédios. “Taguatinga, com aquele tamanho todo, não tem auditório. Ceilândia não tem cinema. Eu não concebo isso”.

Para Silvestre, o plano de distribuir cultura é um desafio para sua gestão e o momento exige reconhecimento do terreno. Atualmente o secretário conta com a ajuda da consultora Cláudia Costin, ex-ministra de administração do governo Fernando Henrique, que auxiliará na definição de um plano de gestão do museu e da biblioteca do Complexo Cultural da República, inaugurado no final de 2006. “Quero ter um conselho vigente, mas tenho que criar uma gestão. Isso ainda estamos estudando”, admite. Além disso, o secretário já pensa no Setor Cultural Norte, entre o Teatro Nacional e os ministérios, cogitando a criação de uma arena livre, com capacidade para cerca de 30 mil pessoas. “Talvez façamos uma arena livre, para tirar as manifestações do gramado da Esplanada e concentrar lá”, prevê.

Para contornar limitações orçamentárias, o secretário declara na mesma entrevista, que pretende “usar criatividade, tradição e a vocação cultural da capital”, e pretende criar comissões para rever editais do Pólo de Cinema do Distrito Federal e o Fundo da Arte e da Cultura (FAC). “Adiei tudo”, informa, sobre os editais de cinema. “Eles não pagaram o de 2004. Em 2005, não teve. Quero fazer maior. Quero entender, quero pegar uma equipe para estudar”, avisa. Promover uma integração maior do governo local com as embaixadas também será outra prioridade. “Estamos de costas para as embaixadas. O que existe é um movimento esporádico. Por que não podemos convidar uma embaixatriz para ir a uma escola da Ceilândia falar do seu país? É um mundo fantástico”, observa.

O secretário acredita que “cultura boa vem de baixo para cima” e pretende garantir acesso da população a eventos culturais com um brasiliense vale-cultura, além de propor o intercâmbio entre Estados com o Brasília de Todos os Cantos, projeto que amplia o conceito da iniciativa Feira dos Estados, e pretende trazer à cidade, por períodos de 15 a 20 dias, representações da cultura dos Estados brasileiros, apresentadas em vários espaços. O primeiro já tem data para ocorrer, será a partir de 28 de fevereiro, e terá o Estado de Minas Gerais como homenageado.

Algumas iniciativas culturais, como o projeto Arte por Toda Parte, deverão ser mantidas, mas com a condição de que suas ações sejam estendidas à periferia. “Quero levar tudo mais para a periferia. Os blocos e escolas de samba, por exemplo, não têm que trabalhar só quatro dias no ano. Quero ajudá-los a construir galpões, mas que sejam parceiros do governo 365 dias no ano, com oficinas de música, oficinas de fantasia”. E completa: “Ainda estamos no começo, trocando o pneu de um carro a 200km por hora. Mas vamos trocar e sair lá na frente”.

Mato Grosso
Assumindo o segundo mandato do cargo a convite do governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, o atual secretário de Estado de Cultura do Mato Grosso, João Carlos Vicente Ferreira, pretende manter a interiorização das ações da Secretaria de Estado de Cultura, além da valorização da cultura mato-grossense e suas representações dos povos que formam o Estado de Mato Grosso.

Embora o secretário acredite que no geral a secretaria esteja se destacando com a promoção de cursos de capacitação, apoio direto a eventos culturais e no gerenciamento de programas como o da Revitalização do Centro Histórico de Cuiabá e o Programa de Recuperação e Revitalização do Patrimônio Histórico em todo o Estado, é ainda necessário que a pasta dê a todos os Municípios as mesmas oportunidades oferecidas para cidades maiores, como Cuiabá e Várzea Grande.

Para equilibrar esse quadro de acesso e apoio cultural, o secretário pretende continuar com o sistema de cotas em alguns cursos que a secretaria está colocando à disposição dos interessados e por meio do qual parte das vagas é destinada ao Interior.

O secretário reconhece que ainda falta muito por fazer, mas acredita que houve muitos avanços no setor cultural em Mato Grosso, destacando o programa de recuperação e revitalização do Patrimônio Histórico Mato-grossense, que em parceria com a Secretaria de Assuntos Estratégicos, liderada pelo secretário Cloves Vetoratto, e com a Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), recuperou e readaptou o Palácio da Instrução, cujos espaços internos foram ampliados e restaurados. Unindo com a Secretaria de Trabalho, Emprego e Cidadania e com o apoio da secretária Terezinha Maggi, o prédio também ganhou um espaço para pesquisas na Internet, possibilitando a inclusão digital, por meio da qual os estudantes mais carentes podem ter acesso a rede de mundial de computadores.

A proposta é continuar a recuperação de patrimônios históricos, além de todo o Centro Histórico de Cuiabá, visando também o intercâmbio cultural entre o Estado e outras culturas. Para isso, na semana passada João esteve reunido com o representante de Assuntos Culturais do Ministério de Relações Exteriores da Bolivia, Alejandro Machicao, Ministro da Cultura da Bolívia, Edgar Arandia, diretor geral de Patrimônio, David Aroquita, além do Ministro de Turismo, com o objetivo de promover o intercâmbio cultural com Mato Grosso e o país vizinho.

Outra ação significativa do secretário e que será mantida em sua gestão, é o Fundo Estadual de Fomento à Cultura, destinado a proporcionar suporte financeiro à administração estadual das políticas de cultura e a apoiar projetos culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado, com a finalidade de estimular e fomentar a produção artístico-cultural do Estado de Mato Grosso.

O secretário de 52 anos, nasceu em Santa Cecília do Pavão, no Paraná. É publicitário e escritor, com mais de dez livros publicados sobre a História e a Cultura Mato-grossenses e de outras regiões do País.

Vive em Mato Grosso desde 1990. Foi diretor cultural da Fundação Júlio Campos,
criador do Projeto Memória Viva, editor da Editora Buriti, conselheiro eleito do Conselho de Cultura do Estado de Mato Grosso, além de ter sido presidente eleito da Sociedade Amigos da Biblioteca Pública Estadual de Mato Grosso (Sabemt), e é presidente eleito do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso, instituição cultural mais antiga do Estado de Mato Grosso, da qual é sócio efetivo desde 1996.

Goiás
Atualmente o Estado de Goiás não possui uma Secretaria de Cultura, mas sim a Agência Goiânia de Cultura (Agepel), que é presidida por Nars Chaul.

Em 24 de agosto de 2006, o então governador do Estado de Goiás, Marconi Perilo, juntamente com o presidente da Agepel, Nars Chaul, apresentaram ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, a proposta de criação da secretaria de Cultura, tendo como objetivo principal fazer com que o Estado possa participar do Sistema Nacional de Cultura.

Embora a secretaria ainda não tenha sido criada, o projeto está em andamento e o atual governador do Estado de Goiás, Alcides Rodrigues Filho ainda não definiu quem irá assumir a pasta da Cultura no Estado. Segundo a assessoria de comunicação da Agepel, até fevereiro, o governador definirá se a pasta será dirigida pelo atual presidente da Agência de Cultura, Nars Chaul, ou se haverá mudança.

Mato Grosso do Sul
Ao assumir o governo do Estado de Mato Grosso do Sul, o governador eleito, André Puccinelli, destituiu a Secretaria de Cultura do Estado. Além da Cultura, perderam também o status de secretaria, Juventude, Esporte e Lazer.

Com essa mudança, o Estado passa a ter uma Fundação do Estado de Cultura do Mato Grosso do Sul, que será presidida pelo professor e teatrólogo Américo Ferreira Calheiros.

Segundo a assessoria de comunicação da Fundação de Cultura, o diretor-presidente ainda não anunciou suas propostas para a área cultural do Estado, mas provavelmente isso será divulgado até final de fevereiro.

Carina Teixeira

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