Com a citação da frase acima, o presidente do Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Museus (ICOM-BR), Carlos Roberto Ferreira Brandão, resumiu o que foi discutido durante o seminário “Segurança em Museus: um olhar multidisciplinar”, promovido pela instituição, de 23 a 27 de novembro no campus Butantã da Universidade de São Paulo (USP).
De acordo com Brandão, a questão da segurança em museus, arquivos e bibliotecas ultrapassa o trabalho da polícia, dos bombeiros ou dos agentes que guardam as obras nas instituições e diz respeito também às formas como estas são geridas, à educação e à ética no trato com o patrimônio cultural. Propostas sobre essas questões, aprovadas em plenário durante o Seminário, serão dirigidas a vários órgãos públicos, principalmente às Secretarias de Cultura dos estados – para melhorar a segurança das instituições museológicas.
Um exemplo de questão ética, de acordo com Brandão, é a preocupação dos que estão dentro dos museus – e que são responsáveis em dar um valor de mercado para as obras de arte – com a procedência dessas obras. Sem essa diretriz, pode-se contribuir para uma atividade antiética e até ilegal, como o tráfico ilícito de bens culturais.
Entre outras conclusões para melhorar a segurança estão a criação de inventários com a descrição das coleções sob guarda das instituições culturais – para, em caso de furto, poder identificar rapidamente e dar à polícia e órgãos competentes a descrição completa do objeto furtado (com fotografia) – e a criação de uma área específica para gestão de segurança dentro dos quadros de servidores de museus, envolvendo desenvolvimento de estratégias e formação de recursos humanos.
Cerca de 150 profissionais de todo o país participaram das atividades, entre eles museólogos, conservadores, bibliotecários, restauradores, historiadores, especialistas em documentação, em políticas públicas, em gestão cultural, arquitetos, pesquisadores. A meta é que atuem como multiplicadores de práticas de segurança nas instituições de seus estados. Os debates e oficinas contaram com a participação de conferencistas brasileiros e estrangeiros, como gestores de museus, historiadores, representantes do Judiciário e da Interpol, entre outros de diferentes áreas.
Nos últimos anos, no país, inúmeras peças sacras e obras de arte valiosas foram roubadas. Alguns desses roubos tiveram grande repercussão, inclusive internacional, como o dos quadros de Dalí, Matisse, Monet e Picasso do Museu da Chácara do Céu, no Rio de Janeiro, em 2006. O tráfico de bens culturais já é o quarto crime com maior incidência no país, perdendo apenas para o tráfico de drogas, de armas e o de animais silvestres e espécimes da flora, segundo o Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Na questão da segurança, os museus vivem um aparente paradoxo; ao mesmo tempo em que têm de conservar, têm de expor os bens culturais”, diz o presidente do ICOM-BR.
Rio 2013
O Brasil, pela primeira vez, foi escolhido para sediar o evento mais importante do Conselho Internacional de Museus, que ocorre a cada três anos. A 23ª Conferência Internacional do ICOM será em 2013 no Rio de Janeiro.
Instituição vinculada à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o ICOM foi criado em 1946 e hoje está presente em 150 países. Segundo o presidente do ICOM-BR, Carlos Roberto Ferreira Brandão, a maioria dos participantes do ICOM é de profissionais de países europeus. Um dos objetivos de trazer o congresso internacional para o Brasil é estimular a maior participação de países da América Latina – “onde estão acervos importantíssimos” – e também do Canadá e dos Estados Unidos, que mantém uma organização muito atuante e com objetivos semelhantes que é Associação Americana de Museus.
Segundo Brandão, o ICOM-BR, em parceria com o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), trabalhará para que o próximo Fórum Nacional de Museus (iniciativa do Ministério da Cultura, o MinC), em 2010, mobilize os profissionais para o evento de 2013. Um dos esforços será para que o Brasil tenha representantes em cada um dos 30 comitês internacionais temáticos do ICOM, entre os quais está o ICMS, voltado para as questões de segurança em museus. Hoje a maior participação brasileira é no comitê internacional de educação.
“O Brasil tem chamado a atenção internacional por sua contribuição no que diz respeito a museus como agentes de mudança social e de novos tipos, como os museus de comunidades indígenas, de favelas, de cultura imaterial – Museu da Língua Portuguesa e do Futebol – e até de eco museus”, revelou Brandão.
* Com informações da Assessoria de Imprensa.