Alguma coisa está fora da nova ordem digital. Enquanto as possibilidades do 3D excitam Hollywood, as transmissões em HD enchem os olhos do público, e os televisores LED voam das lojas de eletrodomésticos como Jabulanis – exemplos mais pop da atual revolução high tech -, uma área vive um momento de contradição. Na música, cujos rumos têm rendido alguns dos mais acalorados e interessantes debates do momento, um canal está falhando. E é justamente o canal de escape.
Sua miniaturização – que possibilitou que ela corresse o mundo livremente, virando, no percurso, o mercado fonográfico de cabeça para baixo – trouxe um efeito colateral que a geração MP3, toda ouvidos para os seus iPods, talvez nem esteja percebendo: o iminente fim do som caseiro como o conhecíamos.
Em nome da praticidade, amplificadores, caixas de som e até mesmo CD- players – a combinação perfeita para um som de qualidade – estão se tornando símbolos do passado. Quase todas as grandes lojas não têm mais esses itens em estoque. No seu lugar, a oferta é apenas de minisystems, microsystems e MP3 players, incluindo aí as dock stations para iPods – boas alternativas para a falta de espaço, mas pobres opções para apreciar a música em alta fidelidade.
Para alguns, esse é apenas um sinal dos tempos. Para outros – como os músicos, produtores, DJs e audiófilos ouvidos pelo GLOBO -, porém, trata-se de um mau contato na evolução tecnológica. De fato, nunca houve uma oferta tão grande de música – e uma procura também: o número de downloads do site iMúsica (imusica.com.br), por exemplo, cresceu 440%, comparando o primeiro semestre de 2009 com o mesmo período deste ano. Ao mesmo tempo, a música nunca foi apreciada de forma tão… mínima.
No mundo dos iPods, o cenário é bem diferente. Segundo a revista “Macworld”, em janeiro e fevereiro deste ano foram comercializados 7% mais iPods do que no ano passado nos Estados Unidos. De acordo com a publicação, a expectativa da Apple para o primeiro semestre de 2010 é que as vendas de seu player tenham ultrapassado dez milhões de unidades no país.
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*Fonte: O Globo (Carlos Albuquerque)